Coloque em prática
A corrida pode ser o exercício físico acessível, relaxante e completo que você procurava. Saiba mais sobre as vantagens do esporte
21 de Abril de 2020
Você busca um exercício que seja eficaz e ao mesmo tempo divertido? Que não pese no seu bolso e nem na sua rotina? Então, suas desculpas acabaram: você deveria começar a correr. Isso porque os benefícios da prática são os mais variáveis possíveis, segundo esse compilado de pesquisas publicados pelo portal americano Runner’s World e pela revista Podium Runner . Conheça algumas vantagens dessa atividade e, ao final, confira algumas dicas de como começar a praticá-la ainda hoje.
SAÚDE MENTAL
Exercícios físicos, por si só, são capazes de liberar o já conhecido hormônio da serotonina. Esse hormônio é o responsável por regular nosso humor, sono, apetite e até nossa temperatura corporal. A corrida, é claro, não foge a essa regra. Um estudo realizado em 2012 pela publicação Medicine & Science in Sports & Exercise identificou que até mesmo 30 minutos caminhados em uma esteira, em intensidade moderada, já é capaz de melhorar o humor de pacientes que sofrem até mesmo depressão de alto grau. A sensação de suar também é um dos possíveis motivos para esse sentimento positivo. O suor traz consigo a mensagem do esforço, representa a recompensa final e é conhecido como “O Suor da Felicidade”, como cravou a revista Psychological Science . Ele é inclusive perceptível pelos que estão ao seu redor, que acabam se contagiando com essa sensação de alegria.
SAÚDE FÍSICA
Correr vai te ajudar a acelerar o seu metabolismo. Isso consequentemente vai te ajudar a queimar calorias indesejadas mais rápido. E você não precisa estar magro para correr, afinal, a atividade é livre e pode ser feita por qualquer um. A perda de peso ou o equilíbrio dele será uma consequência.
Ainda sobre metabolismo e o bom funcionamento do corpo, uma vasta revisão de 170 estudos epidemiológicos feitos pelo
Journal of Nutrition, mostrou que exercícios feitos regularmente - como é o caso da corrida - reduzem os riscos do desenvolvimento de determinados tipos de câncer. Aos pacientes que já possuem a doença, a atividade, quando permitida pelo seu médico, pode trazer mais qualidade de vida ao paciente em tratamento.
A corrida também é benéfica para o fortalecimento da sua massa óssea, ou seja, seus ossos num geral. Isso pode ajudar em possíveis problemas na coluna e até no joelho.
Mas o impacto das passadas não é prejudicial aos joelhos? Negativo, segundo pesquisador da
Universidade de Boston, David Felson. Em entrevista a Rádio Pública Nacional, Felson diz não ter encontrado, ao longo de seu estudo, nenhuma relação com a corrida e a osteoartrite.
Por fim, diferentes estudos apontam que o ato de correr regularmente é benéfico para trazer um melhor condicionamento cardiovascular, melhor composição corporal (menos gordura), menor colesterol, excelente controle de glicose e insulina, ossos mais fortes, melhor regulação hormonal e funcionamento neurológico positivo. Tá bom ou quer mais?
CONTATO COM A NATUREZA
Como já dissemos nessa matéria , o contato com a natureza é um interessante e potente aliado para a sua saúde física e mental. E a corrida geralmente é feita justamente assim, ao ar livre. Isso pode envolver natureza ou não, é claro. Se você morar em uma grande capital, o verde pode ser um pouco raro nas suas paisagens.
Mas isso pode depender um pouco de você também. Escolher parques como cenário da sua corrida pode tornar tudo mais leve, sua respiração fluirá melhor e você terá mais espaço e menos obstáculos. Além disso tudo, você estará em contato com a natureza, o que pode ser raro dependendo de sua rotina. Esse momento é único e valioso, onde diferentes benefícios estarão unidos em um só.
CONCENTRAÇÃO
Correr é um ato quase que de meditação , mantendo sua mente focada em um só objetivo: a reta final do seu trajeto. Músicas costumam ajudar no processo da concentração que a atividade exige, mas o estilo varia de corredor para corredor. O importante é se manter focado e ativo.
FAZER AMIGOS
Correr pode incrementar suas relações. Se inscrever em competições até mesmo fora de sua cidade, maratonas complexas e todo o preparo físico para elas - tudo isso fica melhor quando se tem companhia, e não só do seu preparador físico. A corrida pode ser um bom início para te tirar da zona de conforto e te levar a novos lugares e pessoas. Afinal, encontrar sempre os mesmos corredores no seu parque favorito pode vir a se tornar o começo de uma bela amizade, não acha?
LONGEVIDADE
O objetivo final do Portal Plenae pode ser atingido por meio da corrida.
Um estudo
guiado pelo
Jornal Britânico de Esportes e Medicina
descobriu que os corredores apresentam uma taxa de mortalidade de 25 a 30% menor em todas as causas analisadas do que os não corredores.
Outra pesquisa
, essa conduzida pela
Ball State University
, descobriu que um grupo de corredores e ciclistas de 75 anos, que se exercitam há aproximadamente 50 anos, possuía um perfil biológico mais próximo de estudantes de 25 anos do que os não praticantes de exercício.
Não para por aí.
A amplamente conhecida Universidade de Stanford também se dedicou a estudar a longevidade, e um dos tópicos deste estudo foi a corrida. Eles compararam corredores locais, na casa dos 50 anos, com membros da comunidade de Stanford que não se exercitavam, mas que tinham os mesmos cuidados e acessos médicos de primeira linha. Vinte e um anos depois, a taxa de mortalidade era mais de 50% menor entre os corredores. Para a surpresa de todos os pesquisadores, os corredores estavam ficando mais jovens por mais tempo.
E aí, já está se sentindo inspirado e motivado a começar também a correr por aí? Então anote essas dicas que podem te ajudar!
Coloque em prática
Mais do que se exercitar, é preciso criar uma verdadeira conexão com a atividade proposta para que haja frequência – sobretudo na terceira idade
7 de Novembro de 2020
Que o exercício físico faz bem, isso já estamos cansados de saber. Ele auxilia a perda de peso, que consequentemente, diminui incidência das chamadas doenças crônicas não-transmissíveis, como diabetes e hipertensão. Sem diabetes e sem hipertensão, diminui-se também os riscos de infartos e acidentes vasculares cerebrais, dentre outras complicações.
Exercitar-se também faz bem para o seu sono, para sua respiração, para sua postura, coordenação motora, fortalecimento muscular e até para sua saúde mental. Ele também oferece benefícios secundários, como a socialização e o compromisso. Ou seja, só benefícios.
“De forma científica, já foi comprovado de que exercícios físicos são benéficos - ainda que coadjuvantes, em paralelo com alimentação, bons hábitos de sono e tratamentos - para doenças psicossomáticas, como depressão, transtorno bipolar” explica o educador físico Reginaldo Campos de Souza, educador físico pós-graduado pelo Instituto Biodelta, em parceria com Hospital das Clínicas em Fisiologia do Exercício.
“Agora em tempos de pandemia, a gente escuta os alunos reclamando de sentir muita falta, tanto no alívio de dores físicas, como dores emocionais também. O exercício trouxe benefícios de maneira secundária. A pessoa conseguiu com o exercício regar suas plantas, varrer o seu quintal, ela conseguiu realizar esses movimentos e ficou mais feliz” diz ele.
Há ainda indícios de alunos seus que relataram conseguir dormir melhor depois de se exercitar e isso o deixou mais feliz. “Portanto, ele é um ponto-chave porque desencadeia outras coisas, mas ele sozinho não é milagroso, ele faz parte de um todo” explica o educador físico.
Na academia do clube do São Paulo, há diversas modificações para atender melhor esse público maduro. Há números em cada máquina para que, na leitura da ficha de treino, o direcionamento seja mais intuitivo para o praticante. Todo o local é espelhado, para que os professores possam ver todos os alunos ao mesmo tempo, e para que eles possam se guiar e observar seus próprios movimentos.
Todos os aparelhos possuem fitas amarelas para que o aluno com deficiência visual possa evitar acidentes e veja as pontas dos aparelhos, além de os aparelhos estarem mais distantes um do outro em comparação à uma academia convencional. O espaço ainda conta com um local feito para exercícios de uso cognitivo e piso apropriado.
Mas, ainda assim, a parte mais importante de todo o processo é a anamnese, ou seja, a conversa prévia feita com o aluno durante a avaliação física. “É importante avaliar o idoso porque você vai ver desde o idoso atleta que participa de maratona até o idoso bem frágil com idade avançada ou doença avançada” explica.
Para estabelecer quem é quem de maneira científica, é necessária uma avaliação física rigorosa e demorada, com duração média de 1 hora e pautada em padrões internacionais. “É preciso saber o questionário da vida diária dele. Com base nessas respostas é que eu consigo catalogar ele como frágil ou não, porque se ele for, eu já nem faço os testes físicos, não preciso expor ele a isso. A gente quer ver como ele se encontra hoje, até mesmo seus exames de rotina, porque muda muito” conclui.
Outras abordagens
Mas, diferente do que muitos pensam, exercício físico não é só necessariamente a musculação em academias convencionais como a de Reginaldo. Essas são de grande valia, é claro, com profissionais preparados para atender especificamente as demandas daquele público. Mas, por serem mais repetitivas, podem não ser do gosto de todos.
Foi pensando nisso que a educadora física Roberta Marques decidiu fundar a Divas Dance, uma academia situada em Brasília com foco no público maduro que gosta de dançar. Filha de dançarina, ela e sua irmã enxergaram nesse nicho uma oportunidade de trazer mais qualidade de vida de forma divertida e lúdica para suas alunas.
“Escolhi focar na terceira idade por influência muito grande da minha família, cresci com meus avós em um clima muito bom e ativo. Também comecei a dançar muito cedo, e percebi que a prática possui uma parte lúdica muito boa e forte e isso atrai muito o público da melhor idade” conta a empreendedora.
Nesses dez anos de estrada, o projeto que surgiu como uma aula dentro de uma academia até ganhar mais estrutura, hoje já conta com adeptas não só da terceira idade, mas todas as mulheres que veem na dança uma maneira de se movimentar e se divertir ao mesmo tempo.
“O público é bem heterogêneo. Quando elas entendem que esse é o espaço para se divertir, a gente voa alto” conta. “A gente fala que é uma turma para maduros principalmente por causa das músicas, metodologias e atividades que oferecemos. Mas, o que todas têm em comum é gostar de dançar - e não é preciso saber, apenas gostar”.
Gostar do ambiente alegre, de gargalhar, abraçar, conversar e do barulho também é importante. “A dança tem um fator muito legal que é a música, que tem o poder de mudar o seu astral e isso outras atividades não têm. Ela também oferece mais socialização e interação o tempo todo, emoção à flor da pele.” diz.
E o resultado não poderia ser mais positivo. As pessoas que dançam ou fazem exercício num geral, evitam mais as temidas quedas, tão problemáticas para os idosos. E mesmo quando ela ocorre, a recuperação ou a própria queda tendem a ser menos piores do que a de um sedentário, pois a pessoa tem mais reflexo, consegue se segurar ou se proteger, se levantar mais rapidamente.
“Tenho centenas de depoimentos do quanto a vida delas mudou desde que elas se dispuseram a conhecer mais nosso projeto. Acreditamos que o físico é o ponto de partida para uma mudança geral na vida, em todos os aspectos, e as que se dispõe a abraçar a causa do projeto trazem feedbacks até sobre a mudança na relação com a família, filhos e maridos. Pessoas que não tinham coragem de viajar sozinha sem a família hoje viajam com a gente, são pequenas diferenças que geram grande mudanças e benefícios” conta.
Não só na dança, mas na natação, corrida e até no tênis: em todos eles há espaço para o público sênior que quer se movimentar e também se divertir, participando de equipes e competições. Como é o caso de José Batista Nepomuceno, de 93 anos, frequentador do clube Pinheiros há 60 anos e praticante de tênis desde então.
“Quase não uso remédio. Já tive câncer, me tratei e me curei. Meu ingrediente mágico pode ser o esporte, porque quando você faz o que gosta e tem aquilo lá, isso é sempre uma competição, você tem que ganhar para ficar sempre com vontade ter vitórias. Não vou lá por brincadeira não, o negócio é sério” conta.
“Não me cuidava muito quando eu era mais novo, mas pratiquei esporte direto, sempre fui esportista, fazia montaria que era minha especialidade, depois esportes como futebol e tênis” continua. Somente no ano passado, seu José foi destaque em ao menos cinco torneios diferentes, sem contar os muitos prêmios e convites que acumulou ao longo da vida dentro da categoria. Para ele, a prática traz benefícios para a coordenação, para as articulações e para seu foco.
Quando o assunto é a terceira idade, é necessário manter atenção em diversos fatores durante os exercícios. O primeiro deles, é claro, é a estrutura adaptada que o educador físico Reginaldo mencionou. Roberta possui as mesmas preocupações, preenchendo seu espaço com fitas antiderrapantes, controlando o volume do som e até do ar condicionado.
Mas é preciso estar atento à hidratação dos alunos, que tendem a desidratar mais rapidamente, e também ao seu estado cognitivo, como a sua memorização e concentração - até mesmo para evitar quedas. Os movimentos devem ser mais contidos e também com foco maior no ganho de músculo, e não tanto na perda de gordura.
O condicionamento cardiorrespiratório também deve estar em foco, uma vez que ele é mais frágil e muito solicitado num momento de exercícios. Forçá-lo ao extremo pode gerar aumento da pressão arterial ou provocar tonturas que colocam sua noção espacial em cheque.
Estar atenta aos níveis glicêmicos do aluno, que pode apresentar uma diabetes, é de suma importância - e uma possível baixa pode se manifestar por meio de um mal estar, por exemplo. Suas articulações podem também oferecer algum desconforto, bem como sua coluna, e para isso o ideal é que o educador físico esteja preparado para adaptar alguns exercícios.
Por fim, paciência para atender as especificidades desse público que chega com bagagem, experiência, traumas físicos e emocionais e, como é o caso de muitos, um distanciamento de longa data dos ambientes de exercícios físicos. É preciso fazer com que eles entendam que exercitar-se é bom não só porque seu médico pediu ou seu filho forçou, mas porque irá ser benéfico para toda a sua vida.
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