Para Inspirar
Revisitamos a história para entender como surgiu o hábito de sentar-se à mesa e partir o pão em uma data tão celebrada como o Natal
24 de Dezembro de 2020
O final do ano chegou e, apesar das agruras de 2020, com ele sempre vem a esperança de que tudo vai melhorar. Essa época é marcada, além das luzes e decorações belíssimas e coloridas, por um sentimento generalizado de união, bondade e paz. Mas de onde vem isso? De onde vem essa ideia batizada de “espírito natalino”?
Além de ser tempo de estar com os seus, o Natal é, em sua essência, a comemoração cristã do nascimento do Menino Jesus. Segundo as tradições da religião, José e a Virgem Maria viajaram para Belém, onde participariam de um censo.
Lá, não encontraram lugar para se hospedar, alojando-se num estábulo. Nesse contexto de humildade, o Messias nasceu entre os animais do campo, sendo colocado por Sua Mãe na manjedoura, símbolo que até hoje permanece vivo nos presépios natalinos.
Porém, a Bíblia não esclarece nada sobre datas. Como sabemos que isso ocorreu no dia 25 de dezembro? Na verdade, não temos como determinar com exatidão a data de nascimento de Jesus. Baseados em relatos históricos da época (inclusive os contidos na Bíblia), especula-se que Cristo nasceu por volta de 22 de agosto .
Por que o 25 de dezembro, então? A resposta vem de muito antes da cristandade. Nas proximidades da data, era comemorado em quase todo o hemisfério norte o solstício de inverno na antiguidade. Graças à angulação da Terra e à maneira que os raios solares atingem-na, em meados de dezembro ocorre a noite mais longa do ano. Para diversas sociedades pagãs, era um momento de festa: a partir daí, o sol ficaria mais tempo no céu, triunfando sobre as trevas e facilitando as colheitas.
Em muitos lugares do Velho Mundo, como na Inglaterra, Roma, Egito e Grécia, as pessoas faziam reuniões com comes e bebes, além de trocarem presentes entre si e cultuar algumas divindades locais. Parece familiar? Isso porque a tradição foi agregada também pelos católicos a partir do século 4 d.C .
A tradição do Deus Mitra, divindade indo-iraniana da sabedoria e da concórdia, associado ao Sol, era forte no Império Romano à época do nascimento de Cristo e era a ele que os romanos dedicavam seus rituais de solstício.
Conforme o Cristianismo foi crescendo dentro do Império, os papas queriam uma tradição que fizesse frente às festas pagãs. A associação com algo relacionado a Cristo, presente nas outras festas como a Páscoa, era inevitável. Por volta de 400 d.C, a Igreja Católica tornou oficial: Jesus nascera no dia 25 de dezembro. Tal qual o sol após a noite mais longa, Ele veio para triunfar sobre a escuridão, trazendo paz e alegria aos homens de boa vontade.
Natal contemporâneo
A partir daí, o Natal passou a ganhar força e significado para os cristãos de todo o mundo. Mas, hoje em dia, a data é muito mais sinônimo de bondade, solidariedade e, sim, presentes materiais.
Isso porque, com o advento da Revolução Industrial e a consolidação do Capitalismo enquanto sistema econômico, o Natal foi, de novo, passando por uma ressignificação lenta, mas importante. Entra, aí, uma das principais figuras da data: o Papai Noel.
Apesar de hoje estar mais associado aos ideais de consumo que circundam a data, a história do b o m velhinho também tem suas origens na Igreja Católica. De acordo com a tradição, um arcebispo muito rico da região onde hoje é a Turquia saía pelas ruas no século III d.C durante a noite, deixando bolsas de moedas e outros presentes nas chaminés sem ser visto.
Seu nome era Nicolau e a história de sua caridade se espalhou pelo mundo, tanto que foi reconhecido com a canonização pela Igreja. Muitos séculos mais tarde, a figura de São Nicolau passou por algumas transformações graças ao capital. Embora a essência de um idoso bondoso que presenteia as pessoas tenha se mantido, a lógica mudou.
Saíram as roupas do arcebispo como a mitra em troca de vestimentas tão vermelhas quanto o rótulo da Coca-Cola, grande responsável pela popularização do novo e repaginado bom velhinho no século XX através de suas propagandas. Os sacos de ouro deixados nas chaminés se tornaram um grande saco de presentes, que ele distribuía incansavelmente na noite de Natal para as crianças que se comportavam. Sua residência fica no Polo Norte, um lugar “neutro”, não pertencente a nenhum país, onde ele trabalha o ano todo junto com seus elfos na produção dos presentes.
O próprio nome pelo qual é conhecido o Papai Noel nos países anglófonos, Santa Claus, é em referência a São Nicolau. O bom velhinho tornou-se o personagem mais associado ao Natal. Hoje, milhões de pessoas em todo o mundo se reúnem no dia 25 de dezembro para comemorar não a noite mais longa do ano e, muitas vezes, nem o aniversário de Jesus, mas sim para partilharem do espírito natalino enquanto suas crianças aguardam ansiosamente pelos presentes deixados pelo bom velhinho.
Esse espírito tem sua representação máxima na famosa obra de Charles Dickens,
Um Conto de Natal
. Nela, um velho avarento é visitado pelos espíritos dos natais passado, presente e futuro, que mostram-lhe os erros de se manter numa vida egoísta, convencendo-o da força de solidariedade do Natal.
Assim, não importa o motivo, o Natal tem sido motivo (e símbolo) de união entre as pessoas, mesmo com seu significado sendo adaptado e transformado de acordo com os tempos históricos. Neste ano atípico, porém, é bom lembrar que essa união nem sempre precisa ser física. Cuidar de si e dos seus é um excelente ato de bondade natalina. E que tenhamos todos muita saúde, paz e prosperidade para o ano que se inicia.
Para Inspirar
Conversamos com um fisioterapeuta para entender o que faz uma pessoa ser considerada sedentária e quais suas limitações comparadas a um atleta.
8 de Outubro de 2021
No quarto episódio da sexta temporada do Podcast Plenae, você conheceu a história do jogador de futebol, Daniel Alves. De Juazeiro do Norte, na Bahia, para o mundo todo, ele se consagrou com um profissional completo, detentor dos mais diferentes títulos dentro da modalidade e também um dos mais velhos ainda na ativa.
Para ele, o segredo do sucesso é a determinação, o foco e o verdadeiro gosto pela competição. Em busca de ser sempre a sua melhor versão e atingir a sua maior performance, Daniel chega aos 38 anos - idade considerada alta para esse tipo de esporte - sem falar em parar e sem diminuir suas conquistas. 
Segundo Maurício de Camargo Garcia, fisioterapeuta, mestre profissional pela UNIFESP e sócio fundador da SONAFE (Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva) e do CETE (Centro de Traumatologia do Esporte da UNIFESP), essa conquista é uma construção de vários fatores.
“Na construção de um atleta de alta performance, o aspecto físico é tão importante e presente quanto o aspecto mental, cerebral, emocional. Você consegue identificar, claro, se a pessoa tem uma condição muscular mais favorável ou mais característica de praticar uma atividade física. Mas somente um atleta de verdade sabe lidar, por exemplo, com a questão da dor, que faz parte dessa carreira”, explica o doutor.
“Se ele se acostumou com ela e se recupera rápido de uma lesão, é aí que vai morar a grande diferença entre um atleta e um sedentário, ou até de um atleta de alta performance para um esportista recreacional. Até porque, para um atleta, estar parado por muito tempo pode implicar em perda de contratos e patrocínio. Sua recuperação é mais rápida porque ele depende disso, é o mental agindo sobre o físico”, diz.
Para o especialista, essa questão da recuperação é a principal diferença entre os dois perfis de pessoa. Além disso, uma lesão em um sedentário, além de implicar em menos frentes da sua vida, se dá também na maioria das vezes por falta de preparo para realizar aquele movimento.
Isso tem acontecido muito nos beach tennis, febre que tomou a cidade de São Paulo e multiplicou o número de esportistas cadastrados: de 2000 para 4500 em menos de um ano, segundo o vice-presidente da Confederação Brasileira de Beach Tennis. “Essa pessoa trata e volta a jogar no tempo dela, não tem a pressão que o esporte profissional traz para o atleta, e isso muda todo o cenário”, comenta Maurício.
Há ainda uma questão mais científica e cabeluda para o tema. Além do aspecto da dor, existem genes que caracterizam um atleta. “É uma proteína chamada Proteína Quinase Ativada (AMPK), envolvida em diferentes ações. Quanto mais você treina, mais você produz mitocôndria, responsável pela energia das células. Então o sedentário tem muito pouco disso e quando ele se lesiona, o tempo dele é diferente, a melhora também. A gente vê um atleta que opera o joelho e depois de 15 dias já está jogando. Tudo que você estimula no corpo de um atleta ou esportista responde muito melhor, existe essa diferença biológica mesmo”, diz o fisioterapeuta.
Então, é possível um atleta se tornar um sedentário no futuro? Como característica biológica, sim. Ele até pode ter a memória muscular, então um possível retorno seria mais fácil, mas isso não quer dizer que vá ser instantâneo, pois há uma diminuição nessa energia celular e muscular.
Os caminhos de transformações
Para definir o que é preciso que um sedentário faça para se tornar um atleta, antes, devemos entender o conceito do sedentarismo. “Ele é, na realidade, a ausência ou a diminuição da atividade física. E isso está associado principalmente ao pouco gasto calórico semanal. Então a quantidade de calorias que uma pessoa gasta por semana acaba definindo se o indivíduo é sedentário ou ativo. De repente, ela gasta bastante calorias porque anda muito e pega metrô. Não são necessariamente esportes, mas esse gasto calórico semanal importante já tira essa pessoa da linha do sedentarismo”, explica o especialista.
Então, o primeiro passo de quem busca começar a atividade física sem se machucar mora justamente nesse gasto calórico. É preciso mirar no aumento desse gasto, seja caminhando, usando a escada, parando o carro mais longe. O que se encaixar na sua rotina. Uma vez nesse fluxo, a iniciação em algum esporte específico se dará de forma muito mais natural.
Já o contrário também demanda atenção. Um atleta como o Daniel Alves não pode parar de jogar de um dia para o outro, pois ele se enquadra nos atletas de alta performance, e o choque para seu corpo seria imenso. É preciso um acompanhamento redobrado em quem busca desacelerar.
“A prática da atividade física reflete em todo o funcionamento do corpo: melhora na circulação sanguínea, estimula a criação de células cerebrais que nos protegem de Alzheimer, Parkinson e até AVC, te mantém alerta e ajuda na produção da serotonina, que afeta diretamente o humor, a depressão. Então a falta de atividades físicas é ruim para todas essas séries de coisas, a começar daí”, diz Maurício.
“A perda de aptidão que eles têm com essa parada gera o que a gente chama de efeito rebote. Ele pode lidar, já de cara, com uma hipertrofia muscular. Começa a perder tônus e começa a ganhar mais gordura no lugar de massa magra. Partindo desse princípio, o coração é um músculo e pode ser prejudicada. A dieta dele pode mudar também e pode sobrecarregar o rim, aumenta a uréia, e até o fígado também com o ganho de gordura. Você também pode diminuir a oxigenação de alguns tecidos e gerar um desequilíbrio orgânico muito perigoso”, conclui.
Estamos em pandemia há mais de 1 ano e meio e nosso corpo já começa a sentir os efeitos mais visíveis, como revelou esta matéria do jornal El País. De aumento do peso à rigidez muscular, o fato é que precisamos nos movimentar. Segundo a Organização Mundial da Saúde, é preciso focar mais na frequência do que na intensidade, e 30 minutos de atividades físicas por dia é o valor considerado ideal. Não é preciso virar o Daniel Alves, mas exercitar-se deve ser uma de suas prioridades diárias.
Saúde mental, sono e boa alimentação são fatores indissociáveis para quem busca essa mudança de vida. E procurar um especialista, seja ele um fisioterapeuta, nutrólogo ou até endocrinologista, é também indispensável, pois cada corpo demanda uma necessidade. Mas uma coisa é certa: os benefícios são incontáveis!
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