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Desmistificando conceitos: o que é JOMO?

Termo oposto ao já conhecido “FOMO”, o JOMO vem sendo cada vez mais usado por aqueles que buscam a desconexão externa e reconexão interna

14 de Fevereiro de 2021


Você já deve ter ouvido falar no termo FOMO, que em inglês, significa Fear of missing out. Traduzindo para o português, a sigla descreve aquele sentimento quase que de ansiedade que nos acomete quando nos sentimos “por fora”. Em linhas gerais, FOMO é o medo de estar perdendo algo, um momento valioso, uma festa inesquecível, um post único.

Altamente fomentado pelas redes sociais, ambiente que diversas vezes nos traz uma sensação de insuficiência, o FOMO já é uma realidade em clínicas de psicologia, como afirma a psicóloga Mariá Cristo. “Muitos pacientes relatam esses sintomas tão parecidos que, quando juntos, caracterizam perfeitamente a síndrome”.

E quais seriam esses sintomas? Sentimento constante de inferioridade, alta irritabilidade, tendência à solidão, vício em telas e até uma sensação de deslocamento, ainda que o sujeito seja um “arroz de festa”. A síndrome do FOMO também é muito clássica em pessoas que costumam não viver o momento, ou que estão sempre preocupadas com as fotos que aquela situação pode render.

É uma procura exacerbada por aprovação e, ainda que ela venha, o indivíduo sente necessidade de mais. Quem nunca ficou rolando o feed até o fim, com medo de perder alguma foto importante, e sentiu um ligeiro desconforto de natureza inexplicável depois de desligar o celular? Pois bem, esteja atento aos sinais.

A alegria em não estar

Acontece que o FOMO, a longo prazo, torna-se insustentável, sugerindo somente dois caminhos possíveis: a sintomatização completa ou a aceitação. “Você pode ir fundo nesse sentimento de inferioridade e dele não sair mais, ramificando até mesmo para outros problemas. Esse é o destino trágico dessa síndrome” explica a especialista.

Mas, o outro caminho possível é o da libertação, ou seja, aceitar que você não fará parte de tudo e que cada escolha é uma renúncia, e estamos diariamente escolhendo por coisas - como explicamos nesta matéria sobre a tomada de decisões.

Mais do que aceitar e se libertar, o grande êxito na superação do FOMO é ir para o seu outro oposto: a JOMO, do inglês, “joy of missing out”. Em tradução livre, essa sigla tem a ver com a alegria por estar perdendo algo, estar de fora. O que muitos considerariam loucura e até mesmo preocupante, quem sente essa libertação não é necessariamente um “alienado”, mas sim, aquela pessoa que aproveita o hic et nunc , “aqui e agora” em latim.

Mais do que um sentimento, o JOMO é uma atitude. É se impor e dizer não para tudo que a sociedade impõe como urgente e necessário, mesmo que não o seja de fato. “Essa venda de ideais, muito proveniente de um modelo capitalista sempre em busca de te fazer querer mais, capitaliza até mesmo os seus momentos de prazer e lazer” complementa Mariá.

Mas estar offline por vontade própria, atenta ao seu redor e desfrutando do que se vive naquele momento é uma das verdadeiras formas de enxergar propósito na sua vida, é o mindfulness aplicado na prática em seus dias. E a notícia boa é que esse ser e estar vem ganhando notoriedade e se tornando moda até mesmo por aqueles que não saiam da internet de forma alguma: os blogueiros.

Este artigo do site de viagens Skyscanner separou inclusive dicas de como aplicar a JOMO em suas viagens e alguns destinos perfeitos para isso. Porque, é claro, o ambiente conta pontos para que esteja tudo propício a sua desconexão exterior e reconexão interior.

Aproveite essa fase de distanciamento social para praticar a aproximação consigo mesmo. Encontre felicidade nesse movimento tão nobre e importante que é se manter em casa, evitando aglomerações e protegendo a si e aos outros. Coloque o FOMO para escanteio, seja por iniciativa própria, seja contando com a ajuda de uma escuta capacitada.

Entenda que, mais importante do que as festividades lá fora, são as suas próprias festividades internas, capazes de te fazerem feliz independente da circunstância. É preciso saber ser sozinho e gozar da própria solitude, como trouxemos neste artigo .  Você já foi feliz consigo mesmo hoje?

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A receita da vida longa, segundo uma Prêmio Nobel de medicina

As descobertas nesse campo renderam à bióloga americana Elizabeth Blackburn , de 68 anos, o prêmio Nobel de Medicina de 2009.

1 de Março de 2019


A gente entrega o avançar da idade por meio de rugas, cabelos brancos, juntas emperradas… Pois nossas células acusam o mesmo quando se observam seus telômeros. Telômeros são as extremidades dos cromossomos, as estruturas das nossas células onde fica empacotado o DNA. Com os anos, os pezinhos dos cromossomos ficam mais curtos, fenômeno ligado ao envelhecimento e à maior exposição a doenças. As descobertas nesse campo — bem como a identificação da enzima que protege os telômeros, a telomerase — renderam à bióloga americana Elizabeth Blackburn , de 68 anos, o prêmio Nobel de Medicina de 2009. A professora, que atua na Universidade da Califórnia em San Francisco, nos Estados Unidos, se juntou à psicóloga Elissa Epel, da mesma instituição, para compartilhar os achados científicos que conectam a integridade dos telômeros aos nossos hábitos e à maneira de encarar a vida. O resultado é o livro O Segredo Está nos Telômeros , recém-lançado no Brasil pela editora Planeta. Na entrevista a seguir, ela conta um pouco da receita da vida longa, guardada em nossas próprias células. Seu livro fala da importância de uma dieta equilibrada no comprimento dos telômeros. Na contramão, existem alimentos ou ingredientes que deveríamos consumir com moderação pensando nas nossas células? Eu destacaria os carboidratos refinados, refrigerantes açucarados, alimentos processados e carne vermelha. A incidência de doenças crônicas, caso de obesidade, câncer e problemas cardiovasculares, está crescendo mundo afora. Podemos dizer que todas elas estão associadas ao encurtamento dos telômeros? Estou certa disso. Como o estresse mental e a ansiedade são capazes de danificar nossos telômeros e encurtar nossa expectativa de vida? Tanto a ansiedade como a depressão estão ligadas a telômeros mais curtos. E, quanto mais severas elas são, mais curtos são os telômeros. Essas condições extremas do estado emocional têm um efeito no maquinário de envelhecimento das células, que envolve os telômeros, a mitocôndria [organela celular] e processos inflamatórios. Doenças do coração, pressão alta, diabetes, todos esses problemas de saúde tendem a aparecer mais cedo e mais rapidamente em pessoas ansiosas ou deprimidas. A ansiedade é um tema relativamente recente no campo de pesquisas sobre os telômeros. Sabemos que pessoas que vivenciam a aflição de um transtorno de ansiedade tendem a apresentar telômeros significativamente mais curtos. Quanto mais tempo a ansiedade persiste, mais curtos ficam essas estruturas. Mas, a partir do momento em que a ansiedade é resolvida e a pessoa se sente melhor, os telômeros eventualmente retornam ao seu comprimento normal. Esse é um importante argumento a favor da identificação e do tratamento da ansiedade. E a depressão? Piora ainda mais as coisas para os telômeros? A conexão entre a depressão e os telômeros tem uma sólida base de evidências científicas. Um estudo impressionante, de larga escala, envolvendo quase 20 mil mulheres chinesas, descobriu que aquelas deprimidas tinham telômeros mais curtos. Quanto mais grave e duradoura é a depressão, mais curtos ficam os telômeros. Até que ponto técnicas de controle mental, como mindfulness e meditação, nos ajudam a viver mais e melhor? Estudos já descobriram que pessoas que tendem a focar mais suas mentes no que estão fazendo têm telômeros mais longos quando comparadas àquelas cujas mentes divagam. Outras pesquisas demonstram que ter aulas ou treinamentos de mindfulness ou meditação está ligado a uma maior capacidade de manter a integridade dos telômeros. O foco mental é uma habilidade que qualquer pessoa pode cultivar. Tudo que você precisa fazer é praticar. É possível que um dia tenhamos uma pílula capaz de proteger ou regenerar nossos telômeros, uma espécie de elixir da longa vida? Eu adoraria se alguma coisa do tipo existisse! Mas eu manteria uma dieta balanceada e a mente tranquila. Leia o artigo completo aqui . Fonte: Diogo Sponchiato Síntese: Equipe Plenae

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