Para Inspirar

Espiritualidade é trampolim para felicidade

Quem frequenta cultos religiosos pelo menos uma vez por semana tem 29% mais chances de aumentar os anos de vida do que os não praticantes.

17 de Julho de 2018


Quem frequenta cultos religiosos pelo menos uma vez por semana tem 29% mais chances de aumentar os anos de vida do que os não praticantes. Esse foi o resultado apontado por uma grande pesquisa, divulgada em 2009, que revisou 42 estudos sobre o papel da espiritualidade na saúde. Envolveu 126 mil pessoas. Os praticantes religiosos mostraram maior comprometimento com a própria saúde. Passavam por consultas rotineiras ao dentista, tomavam direitinho remédios prescritos, bebiam e fumavam menos. A pesquisa confirmou o que já apontava o estudo populacional de 2001, realizado pelo Centro Nacional de Adição e Abuso de Drogas dos Estados Unidos. Adultos que não consideram a religião importante consomem mais álcool e drogas. É a versão real dos Simpsons e seus exageros estereotipados. O personagem central do desenho, o pai de família Homer faz pouco de qualquer fé, é obeso e alcoólatra. Ao contrário do vizinho carola, Ned Flanders – que é regrado, tem saúde perfeita e corpo sarado. Andar na linha é mais comum entre os crentes e a razão está no poder de autocontrole, segundo cientistas. “A fé facilita a árdua tarefa de adiar recompensas, algo fundamental e rotineiro, desde fazer dieta até estudar para concursos”, diz o psicólogo Michael McCullough, professor da Universidade de Miami e parceiro de Harold Koenig em pesquisas sobre espiritualidade. Felicidade. A fé também tem relação com a felicidade. Um estudo europeu mostrou que pessoas espiritualizadas são mais satisfeitas. Os ateus mostram maior propensão ao pessimismo justamente por ter uma leitura objetiva da vida. Não acreditam na providência divina que pode mudar o curso dos acontecimentos em um estalar de dedos. Religiões estimulam algo essencial para o ser humano: o espírito de comunidade. Devotos normalmente não estão sozinhos. Para Andrew Clark – um dos autores desse estudo europeu e professor da Escola de Economia de Paris – as religiões ajudam as pessoas a superar choques ou a pelo menos não se desesperarem tanto com os tropeços da vida. Segundo a pesquisa, a queda no indicador de bem-estar foi menor entre os desempregados religiosos do que os não religiosos. “A religião oferece ‘proteção’ contra o desemprego”, diz Clark. “Na hora do aperto, há sempre alguém para estender a mão.” Solidariedade. Outra pesquisa, essa realizada pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, comparou duas formas de amparo à terceira idade, a das igrejas e a dos serviços sociais estatais. A discrepância a favor do suporte religioso foi tão significativa que o autor do estudo, o gerontologista Neal Krause, acredita haver algo de único nesse tipo de apoio. Até mesmo os ateus são beneficiados pelo espírito solidário oferecido pelas instituições religiosas. Um estudo feito por Clark investigou o efeito da religiosidade dos outros sobre o bem-estar de uma comunidade. A descoberta foi intrigante. As pessoas sem religião de regiões de maioria ateia são menos felizes do que aquelas sem religião de áreas onde a maior parte da população professa uma fé. “Isso não é nada bom para os ateus: eles parecem menos felizes e também fazem os outros menos felizes”, concluiu Clark. A explicação para isso pode estar na compaixão incentivada pelas religiões. A escritora e ex-freira inglesa Karen Armstrong, autora de mais de 20 livros sobre o tema, acredita que o princípio da compaixão está no centro de todas as tradições religiosas. É ela que nos leva a pensar no próximo e a fazer de tudo para aliviar o sofrimento e as angústias dele. Leia o artigo completo aqui.

Fonte: Sílvia Lisboa Síntese: Equipe Plenae

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A Revolução da Longevidade e como responder a ela

Em 1945, a expectativa de vida média era de 42 anos. Hoje, pouco mais de meio século depois, ela já se encontra em 76. Precisamos aprender a usufruir dessa dádiva.

24 de Abril de 2018


O médico brasileiro que nos orgulha internacionalmente contribuindo com pesquisas sobre longevidade nos apresentou as revoluções que já estamos vivendo e nos convidou a pensar em como liderar, abraçar e pensar melhor nas revoluções que estão por vir.

A REVOLUÇÃO DA LONGEVIDADE E SEU IMPACTO SOBRE NÓS

Em 1945, a expectativa de vida média era de 42 anos. Hoje, pouco mais de meio século depois, ela já se encontra em 76. Precisamos aprender a usufruir dessa dádiva. A revolução da longevidade já chegou, teve e terá impactos para nós como indivíduos e para a sociedade como um todo.

A verdade é que precisamos nos preparar para viver mais do que planejamos – e para os impactos que isso terá em nossas famílias e nossas relações. Devemos focar em chegar à idade avançada acima do linear de dependência. Além dos óbvios benefícios pessoais de uma velhice com mais qualidade, com esse privilégio também podemos nos manter como recursos produtivos e úteis para nossas famílias, para a economia e a sociedade.

É possível evitar chegar a esta fase abaixo do linear da dependência, especialmente prevenindo e cuidando de nossas vidas desde já. Temos que ter de forma muito clara uma perspectiva que considere nosso curso de vida por inteiro.


A qualquer momento, podemos fazer uma intervenção e corrigir aquilo que ainda pode ser melhorado. Sempre é possível começar uma atividade física, cuidar do corpo, cuidar da mente, ter um propósito e ficar operante até o fim.

Kalache cita quatro grandes capitais que são necessários para o bem-envelhecer: saúde, conhecimento, relações e dinheiro. Quanto mais cedo começarmos a acumular esses capitais, melhor. Mas sempre é tempo para começar. Estes capitais nos permitem ter resiliência, ou seja, as reservas necessárias para que nós nos adaptemos e cresçamos com os impactos e desafios que encontrarmos ao longo da vida.

Aquele que acessa seus capitais para buscar soluções dá a volta por cima, encontra uma saída e provavelmente vai envelhecer melhor.

A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E COMO ELA MUDA NOSSAS RELAÇÕES DE TRABALHO

A quarta revolução industrial se trata de um avanço proveniente da terceira revolução industrial. Estamos migrando para uma forma muito mais complexa de inovação, em que múltiplas tecnologias atuam simultaneamente, de forma rápida e hiperconectada. Nela, em vez de propriedades, o acesso é que é importante.

Mais que informação, precisamos do discernimento e imaginação para utilizá-la da maneira certa. Essa reconfiguração no fornecimento de serviços e raciocínios já está transformando radicalmente a natureza do trabalho. Ou usufruímos desta oportunidade ou vamos perdê-la.

Nesse raciocínio, não adianta treinar uma criança hoje esperando que esse conhecimento lhe sirva para o resto da vida. É preciso ensiná-la, antes de tudo, a pensar, a ser capaz de se adaptar, renovar-se e ser resiliente. A capacidade de aprender ao longo da vida é fundamental para que nos adaptemos.

REVOLUÇÃO DA EDUCAÇÃO: A REVOLUÇÃO QUE ESTÁ SOB NOSSA TOTAL RESPONSABILIDADE

A necessidade por flexibilidade, adaptabilidade, capacidade de se reinventar e de estar sempre pronto para mudanças nos traz até uma terceira revolução que ainda precisa acontecer: a da educação. Os 30 anos a mais de vida que ganhamos precisam nos fazer enxergar com novos olhos o jeito como estamos dividindo a vida até agora.

Não estamos envelhecendo como nossos pais e muito menos como nossos avós. E isso não é novo. Basta lembrar que o período entre a infância e a idade adulta, uma fase de vida em que muitos de nossos pais e avós já trabalhavam, não era tratado com metade da atenção que é tratado hoje pela mídia e pela sociedade.

A adolescência foi uma invenção dos baby-boomers. Está na hora de propormos a nova construção social: a gerontolescência. A transição entre a fase adulta e a velhice. O que isso tem a ver com a educação? A necessidade de revê-la por inteiro. Em uma sociedade com mudanças cada vez mais aceleradas, com cada vez menos jovens e maior número de idosos, como manter uma estrutura que concentra todo o período de estudo em uma só fase da vida, na maioria dos casos (especialmente para a faixa mais pobre da população) até antes dos 18 anos e não prevê novas possibilidades de estudo após essa idade?

Como seguir uma estrutura de ensino e trabalho inspiradas no século 19, quando as pessoas estudavam até os 14 anos, trabalhavam muito e morriam com 70 e poucos anos, se muito? Mesmo a seguridade social precisa ser revista, já que foi criada nessa época, em um modelo de sociedade completamente diferente do atual.

É preciso reinventar o curso de vida, do início ao fim. Precisamos pensar em uma vida mais colorida. Uma vida em que possamos curtir o melhor dela desde o início, fazer pausas nos estudos e trabalho, escolher fazer um sabático e poder voltar a trabalhar normalmente tempos depois.

Um curso de vida em que escolhemos quando e como estudar – e também quando e como nos aposentamos. Nessa mentalidade, escola não é só coisa de criança, faculdade não é coisa de adolescente, trabalho não é coisa de adulto e aposentadoria não é coisa de velho. Nessa mentalidade, todas as idades e gerações se encontram em diferentes momentos e trocam conhecimentos, sendo mentoras umas das outras.

É maravilhoso estarmos entre as primeiras gerações que vão ter que responder a essa revolução da longevidade. E podemos fazer isso promovendo a harmonia intergeracional, a noção do cuidado entre uma geração e outra e a geratividade, que é a atividade entre gerações. Neste novo curso de vida proposto, não precisamos apenas nos preocupar em fazer uma carreira, mas sim em deixar um legado.

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