Para Inspirar

Estamos falando de saúde mental com nossos jovens?

Tema mais do que atual e em debate na sociedade, a saúde mental também afeta as crianças e deve deixar de ser tabu.

27 de Janeiro de 2022


Saúde mental é tema recorrente aqui no portal Plenae. Ainda recentemente, dedicamos uma semana inteira para falar sobre a campanha Janeiro Branco, que tem como objetivo trazer ainda mais luz ao tema. Tanto é que, um dos pilares que nos sustentam é justamente a Mente: acreditamos que se ela não está em perfeito equilíbrio, poderá afetar a sua vida como um todo. 


Falamos também bastante sobre Relações, e a família, é claro, aparece constantemente em nossas matérias. Falamos sobre casamento, sobre namoro, paixões e também sobre filhos. E inclusive, falamos sobre como falar sobre saúde mental com as novas gerações de uma forma mais geral, nesse Plenae Entrevista com a psicóloga Camilla Viana. Mas juntando as duas pontas, será que falamos o suficiente sobre saúde mental com as crianças e adolescentes?


O que fazer

Estima-se que 1 em cada 4 adolescentes em todo o mundo está experimentando sintomas de depressão clinicamente elevados, enquanto 1 em cada 5 jovens está experimentando sintomas de ansiedade clinicamente elevados, isso segundo um estudo realizado pela professora associada de psicologia clínica e cadeira de pesquisa canadense em determinantes do desenvolvimento infantil na Universidade de Calgary, Sheri Madigan. 

Segundo a OMS, 75% dos transtornos mentais se iniciam na infância e na adolescência, sendo que 50% se iniciam até os 14 anos. Segundo o modelo bioecológico de Bronfenbrenner, um processo específico de investigação utilizado pela área da saúde, é preciso considerar quatro pontos ao pensar no desenvolvimento do indivíduo: pessoa, processo, contexto e tempo.

Para entender aquela criança, é necessário primeiramente, validar os seus sentimentos. Entender uma possível manifestação de desconforto mental como birra ou algo irrelevante é fazer com que aquela criança, desde cedo, não enxergue suas próprias demandas emocionais como algo que possua valor. 

Em seguida, é preciso entender também que cada indivíduo, independente de sua idade, é um universo complexo, cheio de camadas e inserido em um determinado contexto. Muitas das queixas apresentadas pelas crianças podem estar relacionadas ao seu ciclo familiar. Além disso, a forma como ele entende o amor, o afeto e a preocupação pode variar segundo a quantidade que ele próprio recebe.

Levar em consideração o processo e tempo de “cura” ou tratamento para as queixas relatadas é parte importante também, pois assim como os adultos, as crianças têm suas próprias jornadas de autoconhecimento e autocontrole, e se tratando delas, há ainda menos mecanismos para ambas as tarefas, já que elas são pequenas. 

“Eu acredito que o primeiro passo para falar sobre saúde mental com as crianças é dialogando, com uma linguagem acessível, de acordo com a capacidade de compreensão de cada idade. As crianças são curiosas e observam tudo que acontece à sua volta. É a maneira que elas têm de entender o mundo”, explica Tânia Regina de Jesus*, pedagoga há mais de 30 anos, 18 deles trabalhando como psicopedagoga clínica e especialização em neuropsicopedagogia.

Para trazer o assunto à mesa de forma definitiva, é preciso que a família deixe de lado qualquer estigma ou tabus que elas possuam. Somente tratando o assunto com naturalidade dentro do ambiente do lar é que essa criança vai se sentir segura. Outro ambiente de suma importância para se estar atento é a escola, local onde os pequenos passam a maior parte do tempo.

“Sabemos que o ambiente escolar é onde ela vivencia a maior parte do seu tempo e onde o seu desenvolvimento fica mais evidente e acentuado. Portanto, a escola deve ser um lugar seguro para que temas como esse sejam abordados sem tabus e onde ela se sinta à vontade para falar também”, diz Tânia.

É por lá que ela vai também aprender muito sobre socialização e diferença entre as pessoas, o que abre precedentes para exclusão ou bullying caso os tutores responsáveis no local não estejam atentos. Esses dois fatores podem contribuir para uma piora na saúde mental, mas há ainda outros:

  • Dinâmicas de adversidade social, como discriminação

  • Pobreza e precariedade familiar

  • Violências familiares

  • Insegurança ou violência ambiental, como homicídios

  • Trauma ambiental, como desastres naturais ou conflitos armados

  • Suporte escolar inadequado como um todo

  • Falta de socialização

  • Predisposição genética para quadros de ansiedade ou depressão.

Além de abrir o diálogo, estar atento aos sinais e também o cuidado com a escolha de uma instituição escolar responsável, você pode sempre contar com a ajuda de profissionais capacitados, como psicólogos infantis ou psicopedagogas em caso de dificuldade de aprendizagem também. 

Esses profissionais saberão identificar sinais de gatilhos e causas que podem estressar a criança e, a partir disso, intervir com a ajuda necessária para a melhora. Em casos mais severos, que podem estar atrapalhando o desenvolvimento saudável dessa criança, um psiquiatra pode oferecer ajuda medicamentosa, mas o tratamento multidisciplinar com terapias envolvidas é indispensável.

Se saúde mental não for um tema bem resolvido em sua própria vida, tampouco será na vida de seus filhos. Você está atento à sua mente? E à mente de seus filhos?

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Para Inspirar

Amizades casuais aumentam a felicidade

Laços superficiais podem oferecer recompensas fortes

30 de Maio de 2019


Pense nos seus colegas da academia, nos pais que você vê na fila da escola, no seu garçom favorito. A conexão com essas pessoas que você conhece superficialmente é o que o sociólogo Mark Granovetter chama de “laços fracos”. Essas amizades casuais podem ter um impacto positivo em nosso bem-estar, ajudando-nos a nos sentir mais conectados a outros grupos sociais, e menos solitários também. Um estudo de 2014 descobriu que quanto mais laços fracos uma pessoa tem, mais feliz ela se sente. Manter essa rede de contatos também contribui para o sentimento de pertencer a uma comunidade, descobriram os pesquisadores. Conexão O desejo de pertencer e formar ligações sociais é uma necessidade humana básica, juntamente com comida, sono e segurança. Mas, uma vez que atingimos os 25 anos, o número de amizades começa a diminuir lentamente ao longo do tempo, de acordo com um estudo de 2016. À medida que envelhecemos e as prioridades mudam, manter um calendário social torna-se menos importante. Em seu trabalho examinando as interações sociais, Gillian Sandstrom, professora de psicologia da Universidade de Essex, descobriu que manter uma rede de conexões superficiais nos fortalece em nossa comunidade, especialmente depois de um grande afastamento da família e de amigos próximos ou da perda de um ente querido. Veja como você pode aproveitar ao máximo esses relacionamentos Converse com outras pessoas. Sandstrom sugere que os participantes de seus estudos falem com uma nova pessoa por semana. “Quando você dá permissão para as pessoas conversarem e elas aceitam, elas se divertem”, diz. Copie seus amigos simpáticos. Você tem amigos que parecem iniciar uma conversa com todos no bar? Observe-os: como eles iniciam o papo? Que perguntas fazem? Quais tópicos eles evitam? Faça conversas significativas. Se seu objetivo é que as amizades superficiais evoluam para algo mais significativo, é importante que a troca seja de qualidade. O senso de conexão com alguém acelera o processo para criar uma amizade mais profunda. Fonte: Allie Volpe, para The New York Times Síntese: Equipe Plenae Leia o artigo completo aqui .

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