Para Inspirar

Mortes e doenças por uso de vaporizador acendem alerta

Quase 400 casos de doenças pulmonares graves e seis mortes relacionadas ao vaping foram registradas nos EUA

24 de Setembro de 2019


O uso crescente do cigarro eletrônico virou o epicentro de uma das maiores crises de saúde pública dos Estados Unidos - e por tabela o resto do mundo. Trata-se do forte aumento, entre adolescentes e jovens adultos, do vaping, como é chamado o ato de fumar no dispositivo. Em 2018, 30% dos alunos do último ano do ensino médio relataram consumir nicotina no vaporizador pelo menos uma vez, de acordo com um estudo do Instituto Nacional de Abuso de Drogas. A pesquisa científica disse que o aumento do vaping no ano passado foi "o maior já registrado para qualquer substância nos 44 anos" que o instituto acompanha o uso de drogas por adolescentes. Embora não seja fabricante do único cigarro eletrônico à venda nos Estados Unidos, uma empresa chamada Juul é amplamente responsabilizada pela explosão do vaping e controla cerca de 50% do mercado. Em 9 de setembro, a Food and Drug Administration enviou à Juul uma carta de advertência acusando a empresa de violar os regulamentos federais, promovendo seus cigarros eletrônicos como uma opção mais segura do que os cigarros tradicionais e ameaçando a empresa com multas e apreensões de produtos. Represálias Dias depois, Nova York proibiu os cigarros eletrônicos com sabor em todo o estado, seguindo os passos de Michigan e da cidade natal de Juul, San Francisco. Os movimentos recentes foram motivados pelos relatórios dos Centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de quase 400 doenças pulmonares graves e seis mortes relacionadas ao vaping, que um comitê do Congresso também está investigando. Embora os produtos da Juul não tenham sido implicados nas mortes, o CDC, em setembro, aconselhou os americanos a “considerar não usar produtos de cigarro eletrônico” enquanto sua investigação estiver em andamento. A American Lung Association foi além, dizendo em comunicado que “ninguém deve usar cigarros eletrônicos ou qualquer outro produto de tabaco”. Grandes mercados internacionais, incluindo Índia e China, também estão restringindo a venda de cigarros eletrônicos. Reduzir pela metade as taxas de tabagismo desde os anos 60 continua sendo um dos maiores triunfos em saúde pública dos Estados Unidos, embora o tabagismo - responsável por mais de 480.000 mortes anualmente - continue sendo a principal causa de morte evitável nos EUA. Agora que o sucesso conquistado com muito esforço pode estar em perigo. Muitos temem que o vaping esteja criando viciados em nicotina por toda a vida. "Eles estão trazendo crianças com baixo risco de fumar para a margem", diz Stanton Glantz, professor de medicina da Universidade da Califórnia. “Muitas dessas crianças passam a usar cigarros comuns.” Apenas 20 anos atrás, 23% dos alunos do 12º ano fumavam diariamente, em comparação com 3,6% em 2018. Com o uso de nicotina entre os jovens por causa do vaping, a história parece estar em risco de se repetir. O impacto do vaping na saúde de fumantes adultos é uma das questões mais polarizantes da medicina. Para cientistas, ninguém pode responder completamente sem anos de pesquisas adicionais. Alguns especialistas, como Glantz, argumentam que os cigarros eletrônicos são "um desastre" e que "a idéia de que essas coisas são radicalmente mais seguras que os cigarros simplesmente não é verdadeira". Muitos pesquisadores independentes dizem que a verdade está em algum lugar no meio. Componentes tóxicos Quando alguém acende um cigarro, o tabaco se mistura com o oxigênio, criando uma fumaça inalável, além de cerca de 7.000 subprodutos, dos quais cerca de 70 são conhecidos por causar câncer. Os cigarros eletrônicos operam sob a premissa de que essa combustão, e não a nicotina, é responsável pela maioria dos problemas de saúde associados ao tabagismo, incluindo câncer, problemas cardíacos e doenças pulmonares. Em vez de queimar tabaco, dispositivos aquecem um potente coquetel líquido de sais de nicotina, compostos aromatizantes, propilenoglicol e glicerina para criar um vapor inalável. Os cigarros eletrônicos contêm menos substâncias químicas tóxicas, incluindo agentes cancerígenos, do que os cigarros. Portanto, a mudança pode se traduzir em taxas mais baixas de doenças relacionadas ao fumo. Um estudo de 2017 financiado pelo Instituto Nacional do Câncer e pelo Instituto Nacional de Abuso de Drogas estimou que, se quase todos os fumantes com mais de 15 anos de idade mudassem para vapes, os benefícios poderiam salvar até 6,6 milhões de vidas. "Se olharmos para isso da perspectiva da população, é provável que Juul possa salvar vidas", diz Andy Tan, professor assistente na divisão de ciências da população do Dana-Farber Cancer Institute. Mas é muito simples olhar apenas para substâncias cancerígenas conhecidas. Ainda não está claro qual o impacto que alguns dos ingredientes exclusivos dos cigarros eletrônicos podem ter na saúde. Além disso, os produtos não existem há tempo suficiente para que os cientistas saibam como eles afetam o corpo. Estudos financiados por instituições acadêmicas mostram ligações entre o uso de cigarros eletrônicos e questões cardiovasculares, doenças respiratórias e danos ao DNA que podem ser um precursor do câncer. O uso de vapes em conjunto com os cigarros tradicionais, o que o CDC diz que muitos usuários fazem, também pode anular muitos dos possíveis benefícios à saúde que acompanham os cigarros eletrônicos. E a recente erupção de mortes e doenças associadas ao vaping tornou mais difícil do que nunca argumentar que os cigarros eletrônicos são seguros. Fonte: Jamie Ducharme, para Time Síntese: Equipe Plenae Leia o artigo completo aqui .

Compartilhar:


Para Inspirar

Desmistificando conceitos: o que é o Canabidiol e quais são seus benefícios?

Matéria-prima natural, ela é benéfica para diferentes fins - como é o caso da Olívia, filha do chef Henrique Fogaça -, mas segue enfrentando preconceitos culturais

3 de Junho de 2022


No terceiro episódio da oitava temporada do Podcast Plenae, conhecemos o lado paterno do renomado chef Henrique Fogaça. Representando o pilar Relações, ele contou a história de sua filha, Olívia, que aos 14 anos segue sem ter sua síndrome diagnosticada.


Sua condição a inibe de levar uma vida típica, como andar ou até mesmo falar. A adolescente, filha de um cozinheiro premiado, se alimenta por sonda e passa grande parte dos seus dias em uma cadeira de rodas. 


O que ela não poderia imaginar é que seu pai, Fogaça, seria incansável em busca de melhorar sua qualidade de vida. E em uma dessas buscas, ele se deparou com o canabidiol, substância natural amplamente estudada, mas que ainda enfrenta grande preconceito cultural no Brasil e no mundo.


 “A conhecida maconha e haxixe são todos produtos feitos a partir da planta cannabis sativa. Essa planta contém mais de 500 produtos químicos. Desses, mais de 100 apresentam uma estrutura similar, chamadas de canabinoides. O canabidiol é um desses canabinóides, mas ele não é o responsável pelos efeitos conhecidos da maconha, não produz barato ou dependência química. Isso quem produz é o THC, outra substância e que pode ser isolada”, explica Francisco Silveira Guimarães, médico e professor de farmacologia na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, que pertence à USP.


Seus caminhos foram levados aos estudos da cannabis há mais de 30 anos. “Foi basicamente devido ao meu orientador de doutorado, Antonio Zuardi, um dos grandes pesquisadores dessa área e hoje já premiado. Ele que implementou essa linha de pesquisa aqui e criou um grupo de outros psiquiatras no Hospital das Clínicas. Quem o incentivou foi Elisardo Carlini, falecido recentemente, e que foi o grande pioneiro dessa área de pesquisa em canabinóides aqui no Brasil”, resume. 


O Brasil é referência na pesquisa da substância. A USP ocupa o primeiro lugar como a instituição que mais publicou artigos sobre o canabidiol no mundo de 1940 até 2019, segundo o estudo Global Trends in Cannabis and Cannabidiol Research, publicado em 2020 na revista Current Pharmaceutical Biotechnology.


"Existem no momento, em várias partes no mundo, várias preparações contendo canabidiol, em alguns países são vendidos até como suplementos alimentares. As quantidades são bastante variadas, isso é até um pouco preocupante porque os estudos mostram que em mais de 30% dos casos aquelas quantidades que estão descritas nos rótulos não são reais. Por outro lado, ele também é muito usado como medicamento, inclusive aqui no Brasil. Aí é muito melhor classificado, você pode comprar ele puro, ou em spray, e em formatos que contém metade canabidiol e metade THC.


Para quê usar? 


Antes de definir essa pergunta, é preciso entender o processo de um estudo e os níveis de evidência. O primeiro estágio é chamado de cultura de célula, seguido pelo estágio pré-clínicas, quando ainda não começou a ser testado em seres humanos. Depois, há os primeiros estudos nos seres humanos (inicialmente chamado de estudos abertos, onde não tem um controle), e depois finalmente os ensaios clínicos, que são estudos grandes, com controle.


Nessa última etapa, os participantes não recebem a substância, chamado de “duplo cego”, ou seja, a pessoa pode receber a substância estudada ou um placebo - qualquer substância ou tratamento inerte (ou seja, que não apresenta interação com o organismo) empregado como se fosse ativo. Nem a pessoa e nem o avaliador, no caso um médico, sabem. Esse último estágio é chamado padrão ouro, que vai realmente cravar se aquele tratamento ou substância possuem efetividade.


“No momento, esse padrão ouro só foi atingido para o tratamento de crianças com epilepsia de difícil controle, em síndromes mais raras, ou então combinado com o THC no tratamento sintomático da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Agora, do ponto de vista pré-clínico, o canabidiol tem um potencial enorme, principalmente do ponto de vista psiquiátrico e neurológico e até para câncer. Já temos evidências de muitos outros usos, por exemplo, para ansiedade e Síndrome de Burnout. Até mesmo Parkinson, insônia e dores crônicas também já apresentaram evidências”, conta o pesquisador.


É o caso de Olívia, filha de Henrique Fogaça, mencionado no começo deste artigo. Graças às pesquisas do pai e da luta para conseguir informação e acesso, ele passou a medicá-la e viu efeitos incríveis. Hoje, ela já consegue sorrir, olhar nos olhos, dar seus primeiros passos com a ajuda de uma prótese e, para a alegria do chefe, comer papinhas eventuais feitas, claro, por ele. 


“Nas primeiras pesquisas feitas com a substância em ratos, observou-se que ele oferecia o mesmo efeito que ansiolíticos já conhecidos no mercado, como o Diazepam, ou Valium no nome comercial. A diferença principal é que ele não produz tanta sedação quanto esses remédios tarjados”, explicou o mesmo pesquisador, mas ao podcast da Revista Gama. 


Assim como qualquer outro fármaco, ele oferece algum efeito adverso, que no caso, ainda vem sendo estudado. Novamente: isso vale para qualquer remédio. O que intriga os pesquisadores é justamente a baixa quantidade de efeitos adversos em comparação com o grande poder terapêutico do canabidiol. “A pessoa usar ao seu bel prazer não é uma coisa que seja recomendado pra nada”, pontua.


Em termos de inovação e modernidade, as áreas que estão mais avançadas em termos terapêuticos e caminhando para se tornarem padrão ouro, segundo Francisco, são no tratamento do estresse e da dor crônica. “E sabemos que o canabidiol oferece um efeito neuroprotetor que talvez possa ser útil em transtornos neurodegenerativos a longo prazo, como Alzheimer, Parkinson e até autismo, que não é neurodegenerativo, mas pode se beneficiar. Isso traz esperança, nós conseguimos entender que talvez seja possível desenvolver outros medicamentos a partir dele”. 


A cannabis e a sociedade


Para que seja possível avançar nos estudos, é preciso investimento e autorizações. Segundo a revista Exame, que trouxe dados da consultoria especializada BDSA, o mercado global de cannabis legal atingiu o patamar de vendas de 21,3 bilhões de dólares em 2020, o que representa um crescimento de 48% em relação ao ano anterior. A estimativa agora é de um aumento de cerca de 17% ao ano até 2026, levando o faturamento a 55,9 bilhões de dólares em cinco anos.


A reportagem ainda conta que, em um relatório recém-lançado, Gabriel Casonato, analista do BTG Pactual digital, explica que se considerarmos que o avanço na regulação e legalização da cannabis para fins medicinais ou recreativos deve avançar em países como Israel e Alemanha, a cifra prevista para os próximos anos beira os 100 bilhões de dólares. O montante é superior ao movimentado pela indústria de refrigerantes nos Estados Unidos ou de cervejas no Canadá.


Economicamente falando, o destaque vai para o uso terapêutico, mas a cannabis ainda pode ser usada na indústria têxtil, alimentar, recreativa e até automotiva. 

Por aqui, demos um passo importante em 2019 com a liberação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) da venda de produtos à base de cannabis em farmácias. 


Porém, os preços ainda são altos, o cultivo e a manipulação da substância no país seguem proibidos, e a compra dos fármacos só pode ser feita com a apresentação de uma prescrição médica. Um dos grandes entraves que o tema encontra não só aqui no Brasil, como em muitos lugares do mundo, é o preconceito. 


“Isso é uma ignorância geral sobre o que é a maconha, ela foi muitas vezes vendida como uma droga do inferno pela sociedade. Por outro lado, a juventude a enxerga como uma droga leve que não produz efeitos adversos, e isso também é ruim, pois ignora seus efeitos adversos. Mas já está muito melhor do que era há uns anos”, comenta Francisco.


Para sanar esse problema, é preciso esclarecimento à população. Campanhas potentes, como a do antifumo no começo dos anos 2000, pode ser uma solução importante na visão de Francisco. Mas, para que isso aconteça, é preciso que as entidades governamentais estejam comprometidas e determinadas a olhar para o tema com a seriedade que ele demanda. Muitas coisas boas podem vir a partir disso. 

Compartilhar:


Inscreva-se na nossa Newsletter!

Inscreva-se na nossa Newsletter!


Seu encontro marcado todo mês com muito bem-estar e qualidade de vida!

Grau Plenae

Para empresas
Utilizamos cookies com base em nossos interesses legítimos, para melhorar o desempenho do site, analisar como você interage com ele, personalizar o conteúdo que você recebe e medir a eficácia de nossos anúncios. Caso queira saber mais sobre os cookies que utilizamos, por favor acesse nossa Política de Privacidade.
Quero Saber Mais