Para Inspirar

Nômades unidos: conheça a história de famílias viajantes

Há diversas famílias que enxergam a casa não como um lugar físico, mas sim como um estado de espírito ao lado de pessoas específicas

17 de Dezembro de 2020


No quarto episódio da terceira temporada do Podcast Plenae - Histórias Para Refletir, conhecemos a história de Fabiana, Pato que, ao lado de seus filhos, Isabella e o bebê Zay, viajam pelo planeta sempre em busca de novas ondas a serem surfadas.

Apesar de parecer fácil, o estilo de vida exige planejamento, disposição e criatividade para lidar com as adversidades da vida. Mas, no final do dia, eles confirmam em unanimidade que não viveriam de outra maneira - inclusive já tentaram, mas não se adaptaram.

De fato, não ter residência fixa e viver com a mala nas costas não é prática comum a todos. A grande maioria das pessoas trabalha em um modelo mais tradicional, de segunda à sexta, com 30 dias de férias ao ano - marcadas com antecedência, é claro.

Apesar de não ser a regra, a família Nalu não é a única que adotou o estilo nômade para sua vida

Porém, a família Nalu não é a única a encarar o desafio e viver uma vida sem fronteiras e CEP fixo. Separamos nomes de outras três famílias para você se inspirar e lembrar que há muito mundo para se conhecer!

Família Schurmann

Conhecidos por velejar ao redor do mundo, a Família Schurmann foi a primeira a circunavegar o mundo em um veleiro, ou seja, dar a volta ao redor da terra por águas marítimas.  Além desse feito, Vilfredo Schurmann e Heloísa Schurmann fazem parte também do seleto grupo que já visitou os lugares mais remotos da Terra, como as ilhas Pitcairn e a ilha de Santa Helena.

Segundo seu site oficial, “os Schurmanns já cruzaram os 3 oceanos e 7 continentes do planeta em suas aventuras pelos mares que começaram em 1984, quando deixaram a segurança da vida em terra firme em busca de um sonho vivido em família”. Sua viagem mais emblemática, citada anteriormente, teve a duração de 10 anos. Mas eles também já refizeram toda a rota do navegador português Fernão de Magalhães , expedição que percorreu 60.481 quilômetros durante 912 dias, passando em 19 países e acompanhada por mais de 44, via internet.

O casal é pai de Pierre, David, Wilhelm e Kat - adotada aos 3 anos de idade pela família, que veio a falecer 10 anos depois, aos 13 anos de idade. Todos eles cresceram em alto mar, participaram de longas expedições, envolveram-se com esportes ou somente com o amor pelos oceanos, e hoje desempenham diferentes funções em diferentes ramos - dessa vez, em terra fixa.

Assim como Bela Nalu e agora Zayn Nalu, os filhos da família Schurmann também cresceram viajando - só que em alto mar

Provavelmente a mais famosa das famílias viajantes, a família Klink ganhou notoriedade principalmente por conta do seu patriarca, Amyr Klink. Ele, que foi a primeira pessoa a realizar a travessia do Atlântico Sul a remo durante cem dias - entre a África e o Brasil - completamente sozinho, e também por registrar e difundir todas as suas aventuras em livros e palestras.

Ele também já realizou a volta ao mundo pelo mar, a bordo de um veleiro, que tinha como objetivo enfrentar a rota mais curta, mas também a mais difícil. Esse desafio levou 88 dias para ser concluído, cruzou o oceano Atlântico, Índico e Pacífico e foi tão bem sucedido que voltou a se repetir no ano seguinte - mas dessa vez, ele tinha companhia.

À revista Vogue, sua esposa e fotógrafa, Marina Klink, contou em detalhes como foi a sua primeira viagem em companhia de suas filhas, as gêmeas Laura e Tamara e a caçula Marina, com 8 e 6 anos respectivamente. O destino era nada mais, nada menos, do que as terras geladas da Antártida. De lá para cá, a família não parou mais de se aventurar e Tamara já está realizando a sua primeira grande velejada solo, aos 23 anos - relatando tudo em sua conta do Instagram.

Para muitos, casa não é um lugar, mas sim, um conjunto de pessoas que se mantém unida independente do endereço. A eles, se dá o nome de família

Veleiro Katoosh

“A tripulação brasileira mais jovem em uma volta ao mundo de veleiro", como se definem em sua conta de Instagram, é uma aventura registrada dos irmãos Neto Katoosh e Lucas Faraco. Com 28 e 25 anos de idade, respectivamente, a dupla é praticamente nascida em alto mar - e ambos passaram os primeiros anos de vida a bordo, viajando pela costa brasileira com seus pais.

Em 2018, eles embarcaram para a então maior aventura de suas vidas: realizarem o sonho de serem a tripulação mais jovem a dar a volta ao mundo em um veleiro. Para isso, o tempo estimado por eles é de 5 anos, contando com as paradas para explorar cada região onde eles ancoram.

Tudo isso é registrado de maneira descontraída em suas redes sociais, mas também vira vídeo em seu canal do Youtube - que já conta com quase 30 mil inscritos. Eles também praticam esportes e contam com a ajuda de patrocínios.

Inspire-se a se jogar no desconhecido sempre que puder! E lembre-se que casa pode ser mais do que um lugar, mas sim, uma pessoa - ou um conjunto delas: sua família.

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Para Inspirar

Como nasce a empatia?

Em comemoração ao Dia Mundial da Gentileza, o Plenae investigou o mistério, que intriga diferentes especialistas ao longo das décadas.

13 de Novembro de 2020


Como nasce a empatia? É possível ensiná-la? Para o psicólogo Jamil Zaki, sim. O professor da Universidade de Stanford acredita que, mais do que um atributo pessoal, a empatia é uma habilidade e, portanto, pode ser desenvolvida em seres humanos por meio da prática, como um outro hábito qualquer.

Em seu livro, “A guerra pela bondade: construindo empatia num mundo partido”, ele diz que a “empatia é como um músculo que, se não for trabalhado, atrofia”. O livro virou palestra, disponível neste link, e norteou diferentes especialistas já habituados a estudar o tema.

Assim como afirma o professor, historiador e autor do best-seller Sapiens, Yuval Noah Harari, Jamil também acredita que o mundo só conseguiu ser construído da forma como o conhecemos a partir da colaboração dos seres humanos. Yuval, em seu livro, nos ensina como a cooperação mútua garantiu a nossa sobrevivência, sustento e pelo nosso desbravamento de terras.

Tomando um pensamento semelhante como base, Jamil afirma que, se um dia pudemos cooperar uns com os outros, é porque éramos seres empáticos, capazes de nos colocar na mesma situação que um outro semelhante está vivenciando e, assim, conseguir ajudá-lo.

Para o psicólogo Jami Zaki, todo ser humano é capaz de sentir a empatia

Porém, nosso estilo de vida contemporâneo foi o grande vilão, responsável por nos afastar. “O trabalho em conjunto e a vida em comunidade são raros em cidades enormes” diz.

Mais do que distância geográfica, as circunstâncias também nos segregam. “A mediação tecnológica criou relações anônimas e transacionais e o fenômeno da polarização, que caracteriza o tribalismo contemporâneo, virou a empatia do avesso. As pessoas se empenham em produzir sofrimento em quem discorda delas” afirma.

Caminhos possíveis

Se nossas experiências são capazes de moldar quem somos, portanto, é possível que um ser humano seja exposto à situações onde sua habilidade empática deverá ser manifestada e treinada. E isso pode ser feito até mesmo com a ajuda dela, médio vilã e médio heroína: a tecnologia.

O psicólogo usou mecanismos de realidade virtual para simular um dia na vida de um morador de rua em seus voluntários, e os resultados foram mudanças expressivas em como esses enxergavam os sem-teto. Além disso, ele submeteu mais de 800 alunos adolescentes a assistir um vídeo que retratava agressão verbal de um homem contra uma mulher.

Os resultados, metrificados por ressonância magnética que monitoravam esses alunos, foi publicado na revista e-neuro e apresentaram sentimentos como angústia e repúdio, ainda que se tratasse de uma vivência somente virtual. Ficou claro que os alunos ali presentes gostariam de poder ajudar, portanto, a exposição à situação despertou a capacidade da empatia neles.

A ciência e a empatia

Em vídeo para a escola Casa do Saber, a pós-doutora em neurociências integradas, Claudia Feitosa-Santana, explica a diferença do entendimento do que é empatia para a neurociência. Há dois tipos: a contagiosa, que é a considerada “automática” e a empatia cognitiva, que requer esforço mas que pode ser treinada e ampliada.

“A empatia é uma das pontes entre o egoísmo e o altruísmo. Ao contrário do que muitos pensam, ela é uma capacidade natural - tanto para seres humanos quanto para outros animais” explica a professora. Mas essa é a empatia contagiosa, que já foi comprovada em outros seres e que não requer reforço, simplesmente acontece.

É como quando vemos uma outra pessoa se machucar e, automaticamente, somos capazes de sentir a intensidade dessa dor naturalmente, inclusive nos contraindo juntos. “O macho alfa e a associação dele com a agressividade é uma lenda. Porque tanto no nosso mundo, quanto no mundo animal, os grandes líderes são extremamente empáticos. E mesmo depois de desprovidos de poder, são cuidados com extremo carinho pelo grupo” explica.

A empatia cognitiva, por sua vez, é uma ampliação dessa empatia natural que sentimos enquanto seres humanos, mas que pode ser praticada para ser cada vez maior. Para a Claudia Feitosa, essa sim pode e deve ser treinada. “Ela pode ser desde treinar a compreender o que o outro sente e também a sentir como o outro sente” explica.

Para isso, há quatro dicas-chave que podem ajudar nesse processo. A primeira delas é ser mais autoempático, ou seja, conhecer suas próprias limitações. A partir desse passo é que conquistaremos a segunda dica: ser seletivo. Isso porque, mesmo a empatia cognitiva é impossível de ser sentida por todo mundo o tempo todo, segundo ela.

“O treinamento da empatia cognitiva exige muito esforço, e esse esforço custa muito caro para o nosso cérebro. Por isso não se pode empatizar com todo mundo o tempo todo - bloquear a empatia também é muito importante” explica Claudia. Isso é, na verdade, imprescindível para o exercício de certas profissões que demandam afastamento para que haja profissionalismo, como médicos-cirurgiões ou advogados.

A terceira dica para se conquistar uma ampliação na empatia cognitiva é estar aberto a novas narrativas, pois é a partir delas - seja por meio de leituras, filmes, etc - é que conhecemos situações de fora do nosso domínio e somos obrigados a exercitar esse novo olhar.

Por fim, a quarta e última dica é: ser mais genuíno. Mesmo o mais ingênuo dos seres humanos é capaz de detectar a mentira ou o narcisismo no outro. “Não vale a pena usar da empatia como uma estratégia, ela precisa ser genuína para ser realmente efetiva e conseguirmos ter uma comunicação mais construtiva” conclui.

E você, tem se atentado ao seu poder empático e praticado o poder de se colocar no lugar do outro? Empatia, nos dias de hoje, é mais do que necessário, tornando-se quase palavra de ordem para que a vida ao nosso redor possa ser mais gentil.

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