Para Inspirar

Personalidade e sociabilidade afetam a longevidade

Quem chega à velhice não necessariamente derrotou alguma doença crônica, mas encontrou outros recursos para não desenvolvê-la.

14 de Dezembro de 2018


Quem chega à velhice não necessariamente derrotou alguma doença crônica, mas encontrou outros recursos para não desenvolvê-la. “Os longevos evitam essas doenças graves por meio de uma série de medidas que muitas vezes dependem de conexões duradouras e significativas com outras pessoas”, diz o psicólogo Howard S. Friedman, professor de psicologia da Universidade da Califórnia. Em parceria com a colega Leslie Martin, ele escreveu O Projeto Longevidade , lançado em 2012, no Brasil, pela editora Prumo. A obra é uma compilação das descobertas realizadas ao longo de oito anos de pesquisa. Ele examinou a longevidade das 1.500 crianças de Lewis Terman – psicólogo da Universidade de Stanford, que em 1921 selecionou os melhores estudantes para analisar os fatores que levam ao sucesso intelectual. O estudo de Friedman é uma tentativa de responder às perguntas: “Quem vai viver mais tempo? E por quê?”. Mas tendo como base traços de personalidade, relacionamentos, experiências e planos de carreira. A equipe da revista da Associação Americana de Psicologia, a Monitor on Psychology , falou com Friedman sobre algumas de suas mais controversas descobertas – incluindo a ideia de que o estresse não é necessariamente tão ruim para a saúde. Por que é tão importante que os psicólogos estejam envolvidos no tema “longevidade”? HF: Sabe-se há muito tempo que o modelo biomédico tradicional de doença – que você é saudável até ficar doente – é seriamente defeituoso. Os psicólogos estão provavelmente melhor posicionados para corrigir essa abordagem biomédica ultrapassada. Estamos descobrindo as muitas maneiras pelas quais o bem-estar físico e o bem-estar subjetivo são os dois lados da mesma moeda. É hora de enterrar as distinções falhas entre saúde mental e física. É por isso que vejo O Projeto Longevidade como um potencial de troca de paradigmas, não um manual de “como fazer”. O que atraiu o senhor para o estudo de Terman? HF: Em 1989, fiquei frustrado com o desenvolvimento da pesquisa sobre diferenças individuais, estresse, saúde e longevidade. Ficou claro que algumas pessoas eram mais propensas a doenças, demoravam mais para se recuperar ou morriam mais cedo, enquanto outras da mesma idade conseguiam prosperar, mas não havia uma boa maneira de testar explicações a longo prazo. Eu não me importava muito se os estudantes estressados ​​pegassem gripe na época do exame – eu queria saber quem era mais propenso a desenvolver câncer ou doenças cardíacas e morrer antes do tempo. Mas como fazer tal estudo? Mais perturbador, eu estaria morto há muito tempo antes que os resultados chegassem. Um dia me ocorreu construir sobre os dados de Terman, estendendo o estudo que começou em 1921. Planejei passar um ano debruçado no projeto, mas passaram duas décadas e eu ainda estou nele. Uma quantidade tremenda de novas informações precisava ser coletada e refinada. As análises estatísticas são muito complexas. Mas adoro descobrir coisas importantes sobre saúde e longevidade que ninguém jamais imaginou serem fundamentais. E, felizmente, a persistência acaba sendo um dos melhores indicadores de saúde e vida longa. A pesquisa de Terman concentrou-se principalmente em crianças brancas de famílias de classe média. Que efeito você acha que isso tem na extrapolação das descobertas para outros grupos? HF: A amostra de Terman é o único estudo em grande escala ao longo da vida, continuamente detalhado, de meninos e meninas inicialmente saudáveis. Porque eles tinham acesso a cuidados médicos e educação, porém grande variedade de personalidades e relações sociais – uma excelente amostra para estudar as diferenças individuais. Há estudos que documentam a relevância do status socioeconômico, etnia e inteligência geral para a saúde. O Projeto Longevidade vai além e produz uma visão biopsicossocial profunda sobre essas associações de nível macro. É emocionante que nossas principais descobertas estejam sendo confirmadas por outros pesquisadores. Qual é a descoberta mais surpreendente da sua pesquisa? HF: A descoberta de muitas evidências de que ficar doente não é aleatório. Pelo contrário, existem grandes diferenças na suscetibilidade a lesões e doenças. Algumas delas têm a ver com a personalidade. Outras, com as relações sociais, incluindo casamento, família, amizade e observância religiosa. O mais surpreendente é descobrir que os fatores de risco e os escudos de proteção não ocorrem isoladamente, mas se agrupam em padrões. Por exemplo, os meninos inconsequentes – embora muito brilhantes – tinham maior probabilidade de, ao crescer, ter casamentos pobres, fumar e beber mais, obter menos educação e ser relativamente malsucedidos no trabalho. E eles morreram em idades mais jovens. Tais riscos à saúde e desafios de relacionamento, como o divórcio, são geralmente estudados de forma independente, o que acho um grande erro. Por outro lado, certas personalidades tiveram mais conquistas, melhores relações sociais e outros elementos de prosperidade que levaram a vidas mais longas e saudáveis. Leia a entrevista completa aqui . Assista ao vídeo aqui .

Compartilhar:


Para Inspirar

Qual a diferença entre psicologia, psicanálise e psiquiatria?

Apesar de constantemente confundidas, as três linhas oferecem ajudas diferentes e são igualmente importantes e eficazes

24 de Janeiro de 2021


Em janeiro, celebra-se a campanha do Janeiro Branco, que busca trazer a conscientização acerca dos temas que envolvem nossa saúde mental. Nunca falou-se tanto das doenças que acometem nossa psique - sobretudo depois de um ano intenso de introversão e medo como foi 2020.

Mas, justamente por ser um debate tão complexo e importante na mesma medida, há muita confusão a respeito das diferentes abordagens para um mesmo problema. Sendo assim, resolvemos esmiuçar as três principais: qual a diferença entre a psicologia, a psicanálise e a psiquiatria?

Psicologia

Em vídeo , o psicanalista Christian Dunker explica que a psicologia surgiu em uma busca de tornar científico uma disciplina que era filosófica e estudava as funções mentais (atenção, memória, sensação, percepção, entre outras). Para fundamentar-se, ela também usava de análises comparativas do comportamento de diferentes culturas.

Pode-se dizer que a psicologia opera como “a grande mãe” do assunto, pois é, muitas vezes, a porta de entrada. O psicólogo tem como objetivo estudar o comportamento humano em suas mais diferentes manifestações, e por isso, seu campo de atuação é muito vasto. Aos que escolherem essa formação, o mercado de trabalho reservará oportunidades que variam de recrutamento em empresas, áreas de pesquisa - seja acadêmica ou mercadológica - e até cargos em escola.

Há ainda, é claro, a clínica de psicologia, que também é bastante plural, podendo abranger a psicopedagogia, a comportamental, a cognitiva, dentre tantas outras. Ao psicólogo, cabe escutar o agora e trabalhar com o que se apresenta no momento da consulta. Nesse trabalho, também estão incluídas técnicas que fogem somente à escuta, como os gestos, sua maneira de se posicionar e até sua escrita.

Psicanálise

Também pautada majoritariamente na escuta, pode-se dizer que a psicanálise é um método, quase que uma “área” da psicologia - não fossem seus caminhos diferentes. Praticamente contemporâneas, a primeira foi criada há 100 anos por Sigmund Freud, e trouxe pela primeira vez o conceito do inconsciente.

Sendo assim, a psicanálise não trabalha somente com o agora, pelo contrário, busca fragmentos passados do analisando por meio de sua fala, ou pedaços do sujeito que nem mesmo ele próprio é capaz de conhecer em sua totalidade. “A psicanálise é um método de análise, investigação e tratamento. Ela busca investigar e tratar, sendo uma clínica mesmo. É também um conjunto organizado de saberes que se precipitam no exercício desse método” explica o psicanalista.

Há controvérsias acerca de sua regulamentação enquanto profissão no país, mas não é obrigatória a formação em medicina ou psicologia - apesar de muitos profissionais das respectivas áreas flertarem ou usarem o método em suas práticas. Ela se dá sobretudo no ambiente de clínica ou nos moldes acadêmicos.

Psiquiatria

A Psiquiatria é a única das mencionadas aqui neste artigo que necessita obrigatoriamente de um diploma em Medicina, pois trata-se de uma especialização médica, passível de se receitar medicações, por exemplo, e pode-se levar até 10 anos para a conclusão de todo o processo.

A busca do psiquiatra é a mesma que a do psicólogo e psicanalista, ou seja, tratar de questões da ordem emocional no paciente acometido por elas. Em linhas gerais, todos os três profissionais buscam trazer paz e conforto ao sujeito que sofre, mas o psiquiatra irá analisar o problema também sob uma lente neurológica e até farmacológica.

Isso porque doenças como depressão e transtorno de ansiedade podem gerar um verdadeiro desequilíbrio químico em nosso corpo - ou serem ocasionadas por isso. Portanto, a intervenção medicamentosa deve ocorrer em casos mais severos, onde o paciente necessita de uma ajuda mais intensa e acompanhamento médico.

Mas é importante reforçar que, ainda que o indivíduo esteja sob prescrição de remédios e assistido pelo seu psiquiatra, é sempre bem-vindo um tratamento multidisciplinar com um psicólogo (ou um psicanalista) que esteja olhando não só para as questões mais físicas, mas também comportamentais e ambientais.

Agora que você já compreendeu a diferença entre elas, que tal ouvir mais o seu coração e a sua mente? Dê a devida importância que o assunto merece e busque o seu equilíbrio mental. Acredite: isso irá se refletir em todos os aspectos da sua vida!

Compartilhar:


Inscreva-se na nossa Newsletter!

Inscreva-se na nossa Newsletter!


Seu encontro marcado todo mês com muito bem-estar e qualidade de vida!

Grau Plenae

Para empresas
Utilizamos cookies com base em nossos interesses legítimos, para melhorar o desempenho do site, analisar como você interage com ele, personalizar o conteúdo que você recebe e medir a eficácia de nossos anúncios. Caso queira saber mais sobre os cookies que utilizamos, por favor acesse nossa Política de Privacidade.
Quero Saber Mais