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Pobreza diminui a vida em uma década

Afim de identificar disparidades socioeconômicas escondidas em dados estaduais, os pesquisadores reclassificaram os municípios americanos com base na renda familiar – em vez da geografia.

28 de Junho de 2018


Afim de identificar disparidades socioeconômicas escondidas em dados estaduais, os pesquisadores reclassificaram os municípios americanos com base na renda familiar – em vez da geografia. Examinaram a longevidade, o tabagismo, a obesidade, a pobreza infantil e outras informações de saúde tanto dos locais mais ricos como dos mais pobres. Os resultados podem ajudar a direcionar melhor os programas sociais oferecidos pelo governo americano. Nas regiões com menos recursos, os homens morrem, em média, quase dez anos antes, aos 69 anos, do que os das localidades mais abastadas. As mulheres são menos impactadas. Perdem sete anos de vida. Falecem, aos 76 anos. “Os resultados devem ser profundamente perturbadores para todas as pessoas no país”, afirma o estudo publicado American Journal of Public Health. Vários países em um: A expectativa de vida no estado mais pobre é inferior aos índices de mais da metade dos países do mundo. Isso significa que, em essência, existem vários países em desenvolvimento escondidos nas fronteiras dos Estados Unidos. “Foram confirmadas minhas expectativas para as diferenças nas taxas de tabagismo e obesidade”, disse Randy Wykoff, principal autor do estudo e decano do Colégio de Saúde Pública da Universidade Estadual do Tennessee do Leste, em Johnson City. “Os adultos nos lugares mais pobres tinham duas vezes mais chances de fumar e eram 50% mais propensos à obesidade.” As crianças e os negros: Os afro-americanos não-hispânicos tinham 4,5 vezes mais chances de viver nas regiões mais pobres do que em lugares mais ricos. Além disso, 48% das crianças nos locais mais pobres vivem abaixo da linha de pobreza federal. Nos locais com melhor nível econômico, o índice cai para 9%. Análise: “Quase metade das crianças pequenas crescem em famílias de baixa renda, sem possibilidades de fornecerem recursos adequados para que os filhos prosperem”, observou Neal Halfon, diretor do Centro para Crianças, Famílias e Comunidades mais Saudáveis, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, sobre o estudo (que não participou). “Os indivíduos nascidos em municípios de baixa renda e com poucos recursos provavelmente terão saúde mais precária durante a vida. O setor público e o setor cívico não conseguiram juntar uma campanha abrangente contra a pobreza". Conclusões: Os autores do estudo sugerem que os programas de saúde pública devem ser direcionados aos municípios mais pobres no lugar dos estados. Eles descobriram que cinco estados norte-americanos – Geórgia, Illinois, Kentucky, Tennessee e Texas – abrigavam tanto as pessoas mais ricas, quanto as mais pobres da nação, sugerindo que a pobreza decorre não apenas da falta de recursos, mas da distribuição desigual de renda. Leia o artigo completo aqui.

Fonte: Ronnie Cohen Síntese: Equipe Plenae

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Os benefícios de viajar para a saúde

Viajar é mais do que somente divertido, e pode trazer benefícios para seu cérebro, criatividade e saúde mental.

16 de Dezembro de 2020


Um dos maiores sonhos de todas as pessoas na sociedade moderna é o de viajar. Quem nunca, em dias especialmente cansativos, entreteu a ideia de largar tudo e rodar o mundo só com a roupa do corpo? O ato de viajar se tornou o equivalente ao maior escape possível das agruras do dia-a-dia.

Mas nem todos estão somente fugindo de um problema ou buscando uma espécie de alienação inofensiva. Muitos adotam o pé na estrada como estilo de vida e até carreira. É o caso da família Nalu, personagens do quarto episódio da terceira temporada do Podcast Plenae - Histórias Para Refletir, que narra sua trajetória emocionante e invejável pelo mundo e seus descobrimentos.

Viajar, de fato, tem muitos benefícios, especialmente para a saúde do nosso cérebro. Estudos mostram que viajar estimula a criatividade, além de afastar a depressão, a ansiedade e o estresse. Em tempos cada vez mais corridos, uma viagem simples pode se tornar um retiro importante para o bem-estar de sua saúde mental.


Poucas pessoas tem tanta propriedade para falar do tema de viagens como Amyr Klink. O navegador brasileiro ficou famoso por seus feitos como atravessar o oceano Atlântico num barco a remo e fazer a circunavegação em menos de 3 meses a bordo de um veleiro.  Sobre o assunto, ele diz:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

Viajar e entrar em contato com outras realidades pode ser uma experiência muito útil para abrir nossos olhos e ver o mundo como ele é, em vez de apenas conjecturar sobre ele sem conhecimento. Em seu TED Talk , Lexie Alford, a pessoa mais nova a viajar para todos os países do mundo, conta a história da única vez em que ela temeu por sua integridade física: no Iêmen, ela viu, durante a noite, aproximadamente 50 pessoas reunidas num estacionamento descarregando armas automáticas. Depois de passar a madrugada temendo por sua vida, descobriu que se tratava apenas de um casamento.

Alford aproveita para dizer como essa situação de pavor veio da falta de conhecimento dela sobre a cultura local. Viajar é o melhor remédio para quaisquer tipos de preconceitos. O famoso autor americano Mark Twain já dizia, corroborando a fala de Amyr Klink :

“Viajar é fatal para o preconceito, à intolerância e às ideias limitadas; só por isso, muitas pessoas precisam muito viajar. Não se pode ter uma visão ampla, abrangente e generosa dos homens e das coisas vegetando num cantinho do mundo a vida inteira.”

Zona de conforto

A ideia do “cantinho do mundo” de Twain pode ser explicada por uma frase que vemos muito nos dias de hoje: a zona de conforto. Lexie diz que essa zona nos cerca em três pontos: a mente, o corpo e a alma. O ato de viajar, de ver o mundo e encarar uma realidade totalmente diferente com nossos próprios olhos e mentes pode ser uma experiência única e edificante no caminho do autoconhecimento.

Para usar de outro clichê sobre o tema, a vida começa onde a zona de conforto termina. Em palestra, o professor e filósofo Leandro Karnal diz: “todo cérebro que não está recebendo, está perdendo. Tudo que não está crescendo, está diminuindo. Tudo que não está se renovando, está morrendo”.

Isso vai de encontro aos benefícios trazidos pela viagem como a criatividade aumentada. O cérebro reage positivamente e a melhora na saúde mental é imediata, o que acarreta, também, em melhora da saúde física. Mens sana in corpore sano , do latim, “mente sã em corpo são”.

Com tantos bônus, a fórmula parece simples: para uma vida melhor, viaje mais. Na prática, sabemos que não é bem assim. Existem inúmeros obstáculos na hora de viajar. Os horários de trabalho cada vez mais maçantes e abusivos são o inimigo público número um da viagem, mas não são os únicos.

A própria rotina, expressão máxima da zona de conforto, é outro problema enorme. Ao nos habituarmos ou, como diz Karnal, cairmos na estabilidade, perdemos a motivação necessária para sair da própria bolha que construímos ao longo dos dias. A inércia do cotidiano é o que nos mantém caminhando, mas os passos são sempre os mesmos.

Viajar é justamente sobre isso: sobre encontrar novas vias, pessoas, culturas e realidades. Ou apenas tirar uma folga, dar um respiro antes de voltar a imergir no oceano de problemas e estresse do dia-a-dia. Tudo isso faz bem para a mente, o corpo e a alma e mantém acesa a nossa chama interior.

Nesta matéria , contamos sobre a peregrinação do empresário Marco Antonio dos Reis, que sentiu necessidade justamente de fugir desta tão temida zona de conforto em que habitou por toda a vida. Diz ele que “ precisava reenergizar, sair da rotina, despertar uma consciência sem as distrações hiperativas de uma viagem repleta de roteiros milimetricamente planejados”. Porque somos tão habituados ao cálculo que até mesmo em viagens, costumamos estar dentro do planejado.


Não é preciso fazer viagens enormes e tão drásticas como as de Klink, de Alford, da família Nalu ou até as peregrinações de Ale Edelstein e Marco Antonio. Muitas vezes, apenas uma ida para a praia ou para o interior já é o suficiente para recarregar as baterias e energias, aproveitando para se conectar consigo mesma e com o mundo que nos cerca.

Por isso, é sempre importante se planejar para tirar um tempo onde se possa mudar de ares, de ideias. É sempre melhor manter a cabeça arejada e tirar as próprias conclusões sobre a realidade das coisas, por mais que o mercado de trabalho, cada vez mais, nos force a focar no nosso cantinho de mundo, como bem disse Twain. E você, já planejou sua próxima viagem hoje?

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