Para Inspirar
Mais do que a sua região de nascença, o meio onde se vive, seus costumes e sua economia, afetam quem somos e como vemos o mundo.
23 de Abril de 2021
No quinto episódio da quarta temporada do Podcast Plenae - Histórias Para Refletir, conhecemos a história do empresário Geraldo Rufino, marcada por lutas e persistência para construir a vida de sucesso que tanto almejou. Nascido em Minas Gerais, ele muda de ambiente e vai para São Paulo aos 7 anos, mas em seguida perde sua mãe.
A partir dos 8 anos, Geraldo começa a trabalhar e, desde então, nunca mais parou. Não só por necessidade, mas também porque no trabalho encontrou o seu valor e seu propósito de vida. Era no ambiente competitivo do mercado de trabalho que ele via desafios a serem superados e motivos para se levantar da cama.
Esse propósito se mantém até hoje, mesmo já tendo conquistado a notoriedade e a vida financeira que buscava. Apesar do estrondoso sucesso que fez e faz, Rufino revela jamais ter se esquecido de onde veio e perdido a simplicidade e a vontade de vencer que o acompanham desde a mais tenra idade. Pensando nisso, fomos investigar: o lugar onde crescemos e vivemos influencia em nossa vida? A resposta da ciência é um grande e sonoro sim.
Como e porquê
Apesar de recentes, diversas pesquisas já apontam para essa mesma verdade. A suspeita de que o meio interfere em quem somos não é nova, mas as evidências não param de surgir. Prova disso são as blue zones, termo muito usado pelo pesquisador e autor do livro de mesmo nome Dan Buettner.
Contamos nesta matéria o que ele significa, e também tivemos a presença do especialista no evento Plenae em 2017, em vídeo que você confere aqui . Mas, em resumo, blue zones são as chamadas “áreas azuis”, onde uma soma de fatores faz com que eles reúnam muitos longevos por metro quadrado.
As condições favoráveis para a vida e a promoção da saúde no cotidiano, como boa alimentação e exercícios físicos, são os motivos que levam locais como Ilha de Sardenha, na Itália, a ter tantos centenários. Cultivar relacionamentos não só amorosos, como sociais, como contamos aqui , também é um segredo desses locais, que por serem pequenos, são perfeitos para criação de um senso de comunidade.
Um estudo realizado pela Universidade de Washington comprova essa teoria das relações e vai além: ambientes que possuem um maior percentual de pessoas trabalhando e maior nível socioeconômico também são fatores altamente positivos para se chegar longe.
Esse envelhecimento tido como ideal é frequentemente atrelado, em diferentes frentes de pesquisas, a cidades que são mais preparadas para receber idosos. E o que elas deveriam possuir? Em primeiro lugar, uma boa mobilidade. Em seguida, assistência de saúde fácil, como bons hospitais públicos. Mas em terceiro, e não menos importante, passa justamente pelo fator financeiro.
Dinheiro traz longevidade
Apesar de ser uma triste constatação, ela é real: quem tem dinheiro, vive mais. Em uma mesma cidade, como São Paulo, é possível ter diferentes vivências e expectativas de vida, por conta da desigualdade social. Segundo indicadores do Mapa da Desigualdade, compilado pela Rede Nossa São Paulo, os moradores do bairro de Paraisópolis podem viver até 10 anos menos que os moradores do Morumbi, bairro vizinho.
Essa diferença socioeconômica influencia não só no nosso viver e na forma como enxergamos a vida, como também nas pesquisas. Segundo esse artigo da BBC Future, “em 2010, um artigo na conceituada publicação científica Behavioral and Brain Sciences , da Universidade de Cambridge, relatou que a grande maioria dos indivíduos que participavam dos estudos psicológicos tinha um perfil: era "ocidental, educado, de áreas industrializadas, ricas e democráticas".
Em inglês, as iniciais de cada uma dessas características formavam a palavra “weird”, que coincidentemente significa “estranho” em inglês. Essa parcela da população que costumava responder a pesquisas que ditam como o mundo é, na verdade não o representavam de forma fiel.
Ainda segundo esse mesmo artigo, o ambiente onde vivemos pode nos influenciar a sermos mais coletivistas ou individualistas, a sermos mais introspectivos ou não e até a forma como enxergamos uma foto, com mais foco aos detalhes e aos seus arredores ou ao ponto central dela.
Isso também tem a ver com genética, antepassados que ali viveram, conquistas de territórios e até a agricultura, o que nos alimentamos e aos cenários que somos expostos todos os dias. Sobre isso, Alexandre Kalache, especialista que já participou de um Plenae Drops , não poderia concordar mais.
Outros fatores
Em artigo escrito pelo mesmo, ele reforça a questão socioeconômica e também menciona os benefícios que a exposição à natureza pode trazer, algo parecido com o que explicamos na matéria sobre biofilia. “Espaços abertos, como parques e áreas de lazer ao ar livre, proporcionam oportunidades para fazer atividades físicas e recreativas e se socializar, aumentando nosso bem-estar por reduzir o estresse e melhorar o humor”, diz.
Indo além do quesito cidade, as nossas próprias casas podem influenciar a nossa qualidade de vida. “Já os edifícios, incluindo nossa própria casa, influenciam a saúde e o bem-estar tanto pela localização quanto pela qualidade do projeto arquitetônico, que definem, por exemplo, a presença de umidade ou barulho, a ventilação, a exposição ao sol, a proximidade de serviços e do comércio, a segurança, o saneamento básico, o conforto e a acessibilidade”, explica Alexandre.
Por fim, Kalache ainda atenta aos malefícios que a poluição sonora pode causar para nossas vidas, fator muito presente em grandes cidades, e a alta incidência de acidentes naturais, como furacões e terremotos - que fazem, em sua maioria, idosos de vítimas.
Portanto, é preciso levar em consideração o ambiente onde você está inserido se o seu objetivo é chegar mais longe. Durante a pandemia, com o aumento do home office, nunca estivemos tão atentos ao local onde moramos. Em São Paulo, os preços de imóveis no interior do estado aumentaram em até 70%, como revela essa matéria .
Você está atento ao seu lar e aos arredores dele? Lembre-se que, para envelhecer bem, você deve começar a viver com qualidade ainda hoje, mirando a sua longevidade durante a sua juventude.
Para Inspirar
Mais do que alegrar o ambiente, os animais de estimação desempenham um papel importante para a nossa saúde. Confira mais!
31 de Março de 2021
No segundo episódio da quarta temporada do Podcast Plenae - Histórias Para Refletir, mergulhamos no tocante relato do publicitário e criador de conteúdo, Rafael Mantesso . Ainda casado, ele buscava em um animal de estimação, de forma inconsciente, as mesmas características que possuía em si e não sabia explicar.
Nessa procura, ele encontrou Jimmy, um cachorro da raça bull terrier extremamente dócil, leal, silencioso e um tanto obsessivo, assim como seu tutor. A conexão foi tanta que, mesmo com o fim do casamento de Rafael, a tutela do cão ficou para ele. Porém, todo o restante da mobília da casa foi para sua ex-esposa, deixando assim o ambiente completamente vazio e melancólico.
Para lidar com essa situação, Rafael passou a pegar caixas de papelão no supermercado para preencher o espaço vazio, inicialmente. Porém, depois elas se tornaram cenário dos seus mais criativos desenhos, hábito que ele retomou nesse período complexo.
Tendo Jimmy como parte do cenário e protagonista das cenas, o sucesso foi estrondoso. Rapidamente, a conta de Rafael passou a ganhar milhares de seguidores, propostas comerciais e um contato que mudaria sua vida: uma neurologista da Nova Zelândia que solicitou o uso de suas imagens em seu trabalho sobre a interação de animais de estimação com autistas.
Esse pedido só confirmou o que há muito Rafael já suspeitava: ele possuía a Síndrome de Asperger, uma forma leve do autismo, e desde então, passou a entender porque preferia a companhia de seu cachorro a de outros seres humanos e qual era o papel crucial de Jimmy em sua vida.
O resto da história você confere em seu episódio completo, mas o caso é que animais de estimação exercem uma função verdadeiramente terapêutica a diferentes males dos seres humanos, ainda que a gente nem perceba. E quais seriam esses benefícios afinal?
Não é um achismo: pets podem ser terapêuticos. Esse fato é tão comprovado que há inclusive uma área toda dedicada a isso, chamada zooterapia. Ela tem como objetivo trazer a presença do animal para o tratamento de seu tutor, gerando mais calma e alegria para quem está internado, por exemplo, e até ativando estímulos sensoriais, como o toque e o faro.
Aqui no Brasil, essa terapia é feita há pelo menos 60 anos, mas somente de uns tempos para cá que os maiores hospitais se atentaram a sua eficiência. O hospital Albert Einstein, por exemplo, agora permite a entrada de cães em horário de visita inclusive na UTI.
Dentro dessa prática, há dois caminhos possíveis a serem seguidos: a Terapia Assistida com Animais (TAA), mais complexa e com a necessidade do acompanhamento de um profissional da saúde; e a Atividade Assistida com Animais (AAA), mais livre e abrangente onde a visita do animal é meramente recreativa e a atuação do mesmo será menos intensa.
Ao ter contato com os pets, o nosso cérebro ativa o chamado sistema límbico, uma região localizada abaixo do córtex frontal e também conhecida como nosso “cérebro emocional”. É ali onde nossas emoções são ativadas e, no caso de se relacionar com bichos, há liberação de endorfina, o hormônio que nos gera tranquilidade, bem-estar, entre outros benefícios.
A zooterapia pode ser desempenhada também fora do ambiente hospitalar, como uma espécie de terapia assistida em casa, para pacientes com comorbidades crônicas. Ela acaba sendo um modelo completo e transversal, pois atua tratando dos problemas físicos e psicológicos também.
Ainda se tratando de doenças emocionais, engana-se quem pensa que a atuação animal se dá somente em pacientes depressivos ou ansiosos. Esses dois grupos são evidentemente bastante influenciados positivamente. Mas pacientes com esquizofrenia, por exemplo, também são beneficiados.
Isso porque ter um cachorro ou um gato ajuda na formação de um vínculo afetivo sólido, que é trabalhado diariamente. Até mesmo contato com cavalos, os “pets” maiores, também pode proporcionar essa afinidade tão intensa. Uma pesquisa brasileira demonstrou que muitos pacientes esquizofrênicos ou bipolares se sentiam mais confortáveis na presença de um pet do que de seres humanos, além de um aumento de autoeficácia e autoestima.
Saindo do campo dos neurotransmissores e outros estímulos cerebrais e indo para outras áreas da anatomia, os animais também desempenham papéis importantes. Há uma série de estudos que apontam para o benefício de cachorros e gatos em problemas respiratórios, prevenção de AVC e até rastreio de câncer e hipoglicemia.
Estudos, aliás, não faltam quando o assunto é essa nossa relação com nossos melhores amigos. Uma pesquisa de 1980 realizada pela Universidade da Pensilvânia comprovou um aumento na taxa de sobrevivência nos pacientes cardíacos que eram tutores de animais de estimação. Anos depois, a cardiologista Karen Allen, pesquisadora da Universidade do Estado de Nova York, foi além e comprovou que a parte do grupo analisado que possuía animais apresentou redução no estresse e, consequentemente, na pressão arterial.
Eles também podem fortalecer nosso sistema imunológico, nos protegendo de alergias, sobretudo nas crianças, que ainda estão em formação. Elas são aliás um público perfeito para se ter um pet,
como defende esse artigo
. Ter um cachorro na infância é benéfico para criar senso de responsabilidade, maturidade emocional, menor risco de obesidade, entre outros!
Ter um pet exige algumas necessidades, como levá-lo para passear, e isso faz com que o seu tutor obrigatoriamente se movimente e se exercite nessa caminhada. Socialização, memorização e concentração são outros benefícios advindos dessa interação entre homem e animal, pois é colocada em prática todos os dias. O aumento de passadas diárias reduz a incidência do enfraquecimento dos músculos e da sarcopenia.
Esses últimos benefícios, aliados ao fato de que ter um pet diminui a sensação de solidão e ajuda no processo do luto nos leva a próxima e última conclusão: além das crianças, os idosos são o perfil ideal e extremamente beneficiados na presença de um pet.
Assim como Rafael Mantesso, comece a pensar em todos os fatores positivos que ter esse companheiro para a vida toda poderia trazer para sua mente, corpo, espírito, contexto, relações e até propósito. De forma completa, o um pet contempla todos os seus pilares Plenae com a certeza de que ele se manterá ali nas horas boas e ruins. Abrace a causa e procure um melhor amigo para chamar de seu!
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