Entrevista com
Psicóloga e professora da Universidade de São Paulo
10 de Novembro de 2020
Quais são os efeitos das relações familiares para a nossa saúde e a formação da nossa personalidade? Por meio de explicações de conceitos, desde doenças degenerativas, passando por estilos de apego, a psicóloga e professora da Universidade de São Paulo, Deusivania Vieira da Silva Falcão, conversou com o Plenae para explicar melhor as nuances das relações humanas.
Sabemos que as doenças degenerativas afetam muito os idosos. Mas, para a ciência, como ela se caracteriza?
Uma doença degenerativa relaciona-se a alteração do funcionamento de uma célula, um tecido ou um órgão. Elas provocam a degeneração de todo o organismo, envolvendo vasos sanguíneos, ossos, visão, órgãos internos e cérebro. No caso das doenças neurodegenerativas, envolve a destruição progressiva e irreversível de neurônios e, consequentemente, o nosso comportamento, a nossa fala, a nossa maneira de atuar no mundo. Essas enfermidades causam danos não apenas para quem sofre com ela, mas principalmente para quem está convivendo com a pessoa que tem a doença. E nós temos vários tipos de comorbidades degenerativas, até mesmo as mais comuns, como diabetes, hipertensão, doença da coluna vertebral, o câncer.A que eu costumo trabalhar é a doença de Alzheimer, o tipo de demência mais comum. E a gente observa que, de alguma forma, as doenças degenerativas levam à deterioração progressiva da saúde como um todo. É preciso levar em consideração que há uma interação entre o comportamento, o meio ambiente que vivemos e o próprio perfil genético da pessoa. Alguém que tem algum membro da família com a doença de Alzheimer, tem mais chance de desenvolvê-la do que quem não tem, mas isso não é uma obrigatoriedade. E esse processo degenerativo, como eu falei, necessariamente destrói características originais do que éramos, em algum nível. Por exemplo, o Parkinson é uma doença que tem efeito degenerativo no sistema nervoso central. O Alzheimer já afeta mais a fala, a memória, o comportamento. E isso, naturalmente, acaba gerando danos não só para a pessoa, mas também para os familiares e para os cuidadores de uma maneira geral. oso central. O Alzheimer já afeta mais a fala, a memória, o comportamento. E isso, naturalmente, acaba gerando danos não só para a pessoa, mas também pros familiares e pros cuidadores de uma maneira geral.
Qual é o poder das relações familiares sobre elas - como elas podem auxiliar?
O papel das relações sociais e familiares pode ser preventivo, como também um papel que vai auxiliar no tratamento. Mas, antes disso tudo, vale destacar que as relações sociais e familiares podem ser tanto um fator de risco, quanto um fator de proteção para a saúde e bem-estar. Porque vai depender muito da qualidade das nossas relações. Nas relações saudáveis, há presença de coesão, educação, um bom nível desse vínculo. Mas a gente sabe que tem relacionamentos que são tóxicos, que trazem mais prejuízo do que benefícios. Focando na prevenção e no fortalecimento como promotor de saúde: as relações sociais podem promover o bem-estar na medida que elas promoverem suporte pras pessoas, não só o suporte, mas também uma qualidade de vida. A família é um tipo de relação social, mas nem toda relação social é familiar. A própria OMS preconiza que nossos amigos são sinalizadores da nossa saúde. Por exemplo, se sou sua amiga e converso com você, eu observo que você está mais alegre do que antes, e vice-versa. Então as pesquisas científicas destacam o poder da amizade entre as relações sociais para a vida idosa que, muitas vezes, podem ser melhores até do que o vínculo que você tem com a sua própria família. E isso tá muito ligado aos estilos de apego, que falaremos mais para frente. Em períodos de crises que todos nós vivenciamos pelo menos uma vez na vida, ou quando estamos em tratamento, na adesão ao exercício físico, tudo isso as relações podem oferecer auxílio - e também o contrário. O papel das relações sociais e familiares pode ser preventivo, como também auxiliar no tratamento. Mas, antes disso tudo, vale destacar que as relações sociais e familiares podem ser tanto um fator de risco, quanto um fator de proteção para a saúde e bem-estar. Vai depender de uma série de fatores, tais como, a qualidade das nossas relações. Nas relações saudáveis, há presença de coesão, educação, boa comunicação, reciprocidade e fortes vínculos afetivos. Mas a gente sabe que tem relacionamentos que são tóxicos, que trazem mais prejuízos do que benefícios. Focando na prevenção e no fortalecimento como promotor de saúde: as relações sociais podem promover o bem-estar na medida que elas promoverem suporte para as pessoas e favorecem a qualidade de vida. Alguns estudos indicaram que as relações sociais eletivas, ou seja, as amizades, têm mais potencial de proteção para o bem-estar subjetivo e a saúde dos idosos. A própria OMS preconiza que nossos amigos são sinalizadores da nossa saúde. Por exemplo, se sou sua amiga e converso com você, posso lhe fornecer parâmetros acerca dos seus aspectos físico e emocional, além de também lhe ajudar a refletir sobre as suas escolhas, hábitos e estilo de vida. Então as pesquisas científicas destacam o poder da amizade entre as relações sociais para a vida da pessoa idosa que, muitas vezes, podem ser melhores até do que o vínculo que a pessoa tem com a sua própria família. E isso está muito ligado aos estilos de apego, que falaremos mais para frente. Em períodos de crises que todos nós vivenciamos pelo menos uma vez na vida, ou quando estamos em tratamento, na adesão ao exercício físico, tudo isso as relações podem oferecer auxílio – e também o contrário. O papel das relações sociais e familiares pode ser preventivo, como também um papel que vai auxiliar no tratamento. Mas, antes disso tudo, vale destacar que as relações sociais e familiares podem ser tanto um fator de risco, quanto um fator de proteção para a saúde e bem-estar. Porque vai depender muito da qualidade das nossas relações. Nas relações saudáveis, há presença de coesão, educação, um bom nível desse vínculo. Mas a gente sabe que tem relacionamentos que são tóxicos, que trazem mais prejuízo do que benefícios. Focando na prevenção e no fortalecimento como promotor de saúde: as relações sociais podem promover o bem-estar na medida que elas promoverem suporte pras pessoas, não só o suporte, mas também uma qualidade de vida. A família é um tipo de relação social, mas nem toda relação social é familiar. A própria OMS preconiza que nossos amigos são sinalizadores da nossa saúde. Por exemplo, se sou sua amiga e converso com você, eu observo que você está mais alegre do que antes, e vice-versa. Então as pesquisas científicas destacam o poder da amizade entre as relações sociais para a vida idosa que, muitas vezes, podem ser melhores até do que o vínculo que você tem com a sua própria família. E isso tá muito ligado aos estilos de apego, que falaremos mais para frente. Em períodos de crises que todos nós vivenciamos pelo menos uma vez na vida, ou quando estamos em tratamento, na adesão ao exercício físico, tudo isso as relações podem oferecer auxílio - e também o contrário.
Há uma interdependência entre os membros de uma mesma família?
Sim. A família é um espaço atuante de comunicações, no qual os membros são interdependentes, influenciam e são influenciados entre eles. No caso de situações que envolvem o cuidado com pessoas acometidas por alguma enfermidade, observamos que essa interdependência será bastante influenciada pelo tipo vínculo e pela qualidade do relacionamento que existia entre os membros anterior a doença. Tem pessoas que antes da doença já tinham um péssimo relacionamento familiar e, após a doença, só piora – e o contrário também. A compaixão e a generosidade podem surgir durante esse período, e funcionarem como uma oportunidade de se relacionar com o passado, fazer as pazes com ele, mas isso envolve autoconhecimento, inteligência emocional e espiritual.
O que significa o termo familismo?
No meu pós-doutorado, um dos temas que eu trabalhei é relativamente novo no Brasil, que é essa perspectiva do familismo. Ele é um valor cultural dos povos latinos e hispânicos, principalmente. Nas culturas individualistas, como no Canadá e nos Estados Unidos, o ser está acima de todos os grupos em todos os aspectos - incluindo a família. Quando você está acima de tudo, há uma certa ruptura com seus ancestrais, você dá ênfase ao presente e não ao passado. Eles não são melhores ou piores que os familistas, são só diferentes. A nossa cultura é muito de ir pelo senso de obrigação filial, a questão da piedade, a visão coletivista da vida, a obrigatoriedade de estar ali. A questão do familismo é que os filhos acabam tendendo para uma depressão quando os vínculos familiares não são tão sólidos ou quando eles não têm nenhum apoio, cuidam sozinho dos pais e se torna um fardo. Mas o contrário também, se ele possui um suporte, se ele teve vínculos afetivos muito bem construídos, ele sente uma felicidade de estar ali, podendo devolver tudo isso.. O familismo é um valor cultural dos povos latinos e hispânicos que revela a importância da família e reflete aspectos, tais como, apego, forte identificação com os membros da família, lealdade, reciprocidade, sentimentos de obrigação familiar, apoio e solidariedade entre os parentes. Este é um dos temas que trabalhei no meu pós-doutorado. Nas culturas individualistas, como no Canadá e nos Estados Unidos, o indivíduo está acima de todos os grupos em todos os aspectos – incluindo a família. Quando a pessoa está acima de tudo, há uma certa ruptura com os ancestrais, dá ênfase ao presente e não ao passado. Eles não são melhores ou piores que os familistas, apenas possuem crenças e valores diferentes. Comumente, a nossa cultura destaca a ideia de que a família deve estar em primeiro lugar nas nossas vidas. Somos ensinados a proteger e honrar o nome da nossa família, a perpetuar os costumes, os legados e a história dos antepassados. Somos levados a refletir sobre o senso de obrigação filial, a questão da piedade, a visão coletivista da vida, a obrigatoriedade de estar ali. O familismo pode ser um fator de risco e proteção a saúde e bem-estar ao indivíduo. É considerado um mecanismo protetor, quando a família oferece suporte emocional, estimula-o a ter um estilo de vida saudável e auxilia no enfrentamento de experiências negativas ou traumáticas. Por outro lado, pode ser um fator de risco. Muitos filhos, por exemplo, acabam vivenciando mais conflitos, tendendo a desenvolver sintomas depressivos quando os vínculos familiares não são tão sólidos ou quando eles não têm nenhum apoio, cuidam sozinho dos pais e isso se torna um fardo. Mas o contrário também, se ele possui um suporte, se ele teve vínculos afetivos muito bem construídos, provavelmente, sentirá uma felicidade de estar ali. É uma oportunidade de agir com reciprocidade, de devolver aos pais todo o investimento e cuidado que receberam deles ao longo da vida. No meu pós-doutorado, um dos temas que eu trabalhei é relativamente novo no Brasil, que é essa perspectiva do familismo. Ele é um valor cultural dos povos latinos e hispânicos, principalmente. Nas culturas individualistas, como no Canadá e nos Estados Unidos, o ser está acima de todos os grupos em todos os aspectos - incluindo a família. Quando você está acima de tudo, há uma certa ruptura com seus ancestrais, você dá ênfase ao presente e não ao passado. Eles não são melhores ou piores que os familistas, são só diferentes. A nossa cultura é muito de ir pelo senso de obrigação filial, a questão da piedade, a visão coletivista da vida, a obrigatoriedade de estar ali. A questão do familismo é que os filhos acabam tendendo para uma depressão quando os vínculos familiares não são tão sólidos ou quando eles não têm nenhum apoio, cuidam sozinho dos pais e se torna um fardo. Mas o contrário também, se ele possui um suporte, se ele teve vínculos afetivos muito bem construídos, ele sente uma felicidade de estar ali, podendo devolver tudo isso..
Quais são os cuidados que os afetados pelas doenças degenerativas - ou seja, a família e os amigos - têm que ter com a saúde mental?
É importante cuidar, cuidando-se, ou seja, investir no autocuidado, numa boa alimentação, na prática de exercícios físicos e no cultivo de bons relacionamentos. É preciso que a pessoa esteja presente, mas conheça seus limites. Também, se houver necessidade, é fundamental que se busque ajuda de profissionais de saúde e grupos de apoio.
E o que são, afinal, esses estilos de apego?
Quando nascemos, nós vamos ser cuidados por alguém, essa figura de cuidador que pode ser o pai, a mãe, a avó, tanto faz. Então essa pessoa vai estar te ensinando o que é o amor e o que é o amar. Por isso que os 3 primeiros anos de vida de um bebê são tão importantes. Essa teoria foi desenvolvida por um psiquiatra inglês, John Bowlby, depois da Segunda Guerra Mundial, com as crianças órfãs de pais que morreram na guerra. Essas crianças foram institucionalizadas, ou seja, foram para a creche e apresentavam alto índice de depressão. A partir do momento que ela cresce, ela vai desenvolver uma base segura ou insegura de apego. Se ela estiver envolvida em uma base segura de apego, ela vai ter mais confiança em explorar o mundo, mais amor próprio, que é uma mola propulsora da autoestima. Daí que nascem as as nomeações estilo de apego seguro e inseguro, sendo que o inseguro ainda apresenta três tipos: ansioso/ambivalente, evitador/desapegado e desorganizado/desorientado. As relações de apego desenvolvidas na infância são as bases das formas de apego emocional de adultos em suas relações sociais e românticas ao longo da vida.
Qual é a vantagem de ter um estilo de apego seguro?
As pessoas que possuem um estilo de apego seguro têm mais facilidade de se relacionar, de confiar, de se entregar, de investir nos relacionamentos. As que possuem um estilo de apego inseguro, no geral, são pessoas que não consegue se relacionar de forma mais fácil e espontânea, há sempre uma desconfiança, um medo. O índice de divórcio é bem maior no estilo de apego inseguro, e são pessoas com autoestima geralmente mais baixa, pois não houve esse olhar sobre elas com carinho e cuidado. Se a pessoa não teve uma relação de confiança, de afeto e de amor com seus pais ou cuidadores, provavelmente, não vai se sentir suficientemente aberta e segura para ser amada e isso dificulta muito em suas relações futuras. Pessoas com estilo de apego seguro, ao se depararem com uma variedade de eventos estressantes advindos com as doenças neurodegenerativas, tais como, a doença de Alzheimer, os veem como menos ameaçadores e são mais capazes de lidar com o estresse. O estilo de apego seguro também tem sido relacionado aos baixos níveis de sobrecarga em filhos adultos que prestam cuidados aos pais idosos. Eles percebem o papel de cuidar como sendo mais positivo e menos oneroso do que aqueles que possuem estilo de apego inseguro.
Na sétima temporada do Podcast Plenae, inspire-se com a história de encontrar um novo lar de Maha Mamo.
7 de Março de 2022
Você já se sentiu não pertencendo ao lugar onde está? A ativista Maha Mamo se sente assim desde que nasceu. Isso porque a representante do pilar Contexto era uma entre os 10 milhões de apátridas no mundo, ou seja, uma pessoa sem comprovação de nacionalidade, sem documentos, “sem pátria”.
“Eu morei na minha terra natal, o Líbano, por 26 anos, sem nenhum documento. No Líbano, você só recebe a nacionalidade se o seu pai for libanês. Meus pais são sírios. A minha mãe é muçulmana, o meu pai, cristão. Na Síria, o casamento inter-religioso é ilegal. Por isso, em 1985, eles se mudaram pro Líbano. Tentaram se casar lá, mas só conseguiram na igreja, não no cartório. Nós nascemos apátridas. Nós não tínhamos passaporte, RG, CPF ou certidão de nascimento. Nenhum documento provava que a gente existia”, explica ela.
Há diferentes porquês para alguém ser um apátrida. No caso de Maha, foi a escolha de seus pais sírios em se mudar para o Líbano e, assim, poderem se casar mesmo possuindo religiões diferentes, porém, somente na igreja, sendo privados de uma certidão de casamento ou qualquer outra comprovação legal.
Mais do que o sentimento de não-pertencimento, o apátrida sofre consequências muito maiores. Por não terem qualquer documento, eles são privados do direito à educação, saúde e até o de ir e vir entre os países. O tema já foi até mesmo campanha da ONU, chamada “I Belong”, que foi aliás quando a ativista descobriu que não estava sozinha no mundo.
“Até então, eu achava que só eu, meu irmão e minha irmã estávamos naquela situação. Aí comecei a pesquisar sobre o assunto e descobri que existem 10 milhões de pessoas do mundo inteiro sem pátria. A ONU, a Organização das Nações Unidas, criou uma campanha chamada “I Belong”, ou “Eu Pertenço”, em português, que defende a causa dos apátridas. A campanha da ONU foi, pra mim, uma esperança meio vaga, meio doida, mas pelo menos era algo em que eu podia me agarrar. Eu já não era mais “Someone Unknown", mas Maha Mamo, apátrida”, relata.
Maha Mamo conseguiu estudar por caridade das instituições que a aceitaram sem documentação, mas ela não queria parar por aí. Enviava diariamente e-mail para diversas nações, contando sua história, em busca de ajuda. Foi quando a embaixada brasileira, em 2016, se interessou pelo seu relato e convidou ela e seus irmãos para virem ao país.
“O Brasil era uma opção muito distante. Eu não sabia nada sobre o país, exceto o carnaval, o futebol e a violência. Pra onde eu iria? Onde moraria? Como ia viver? Vasculhando no Facebook, conheci uma família de Belo Horizonte que aceitou acolher meus irmãos e eu. Eu já tinha ouvido falar do Rio e de São Paulo, mas não de Minas Gerais. Eu gostei do nome da cidade. Era o meu horizonte chegando”, relembra.
Dois meses depois de receber o e-mail, ela partiu para o Brasil em um misto de medo e excitação, sabendo pouco do país. Já nos primeiros dias, tirou fotos, registrou suas digitais e assinou papéis. Ganhou CPF, carteira de trabalho, protocolo de solicitação de refúgio e até vacinas atrasadas tomou.
“Nem as filas da burocracia pública me irritavam. Eu achava tudo divertido. Eu podia ter uma conta bancária, um plano de saúde e tomar todas as vacinas que não tomei na infância”, relata.
Apesar da alegria inicial, uma tragédia levou seu irmão embora e ela sentiu uma chave virar em sua cabeça. Depois de se reerguer da tristeza, o ativismo entrou em sua vida e ela entendeu que precisava lutar para ajudar as outras milhões de pessoas que se encontravam em sua situação passada pelo mundo.
“Antes do Eddy morrer, eu estava aproveitando a vida, de boa, com esperança de um dia conseguir a minha nacionalidade. Quando ele faleceu, entendi que a vida é muito curta e nós não temos garantia em nada. Eu não queria morrer sem a minha nacionalidade. Comecei a me questionar: Quem sou eu como ser humano? Pra que eu realmente quero essa liberdade de ir e vir, de fazer o que eu quiser?”, pensou.
Hoje, ela faz entrevistas e palestras mundo afora e ajuda países a modificarem suas leis e reconhecerem histórias como a dela. Em 2018, ela oficialmente se tornou brasileira, as primeiras apátridas reconhecidas pelo estado. Emocione-se com o seu relato apertando o play no Podcast Plenae, em seu streaming de preferência!
Conteúdos
Vale o mergulho Crônicas Plenae Começe Hoje Plenae Indica Entrevistas Parcerias Drops Aprova EventosGrau Plenae
Para empresas