O Plenae Apresenta a história da empreendedora Adriana Barbosa, participante da nona temporada do Podcast Plenae!
12 de Setembro de 2022
Por trás de sua história, há ainda a história dos que vieram antes de você. Pavimentaram caminhos para que hoje você possa caminhar. Esse pensamento se intensifica quando falamos da história da negritude no Brasil, um lugar que melhorou, mas ainda precisa evoluir muito para se tornar menos hostil aos negros.
A empreendedora Adriana Barbosa sabe disso, mas essa sabedoria veio com o tempo, com a maturidade e com suas vivências pessoais. Representando o pilar Contexto na nona temporada do Podcast Plenae, ela começa seu relato dizendo justamente que, em sua família, não haviam conversas raciais frequentes, talvez por serem dolorosas demais.
Crescida em um modelo matriarcal, foi mais uma criança vítima de uma paternidade ausente durante a infância, mas contava com sua mãe, avó e até bisavó para viver e sobreviver. Foram muitos os percalços: separação do núcleo familiar, reencontro, trabalho precoce, entre outras.
“Durante os meus primeiros anos de vida, eu morei com a minha mãe e a minha avó na casa dos patrões. Até que uma das minhas tias sugeriu me levar, pra eu ter uma vida melhor. Esse ciclo de distanciamento não era novidade na minha família. A mesma dinâmica aconteceu com a minha avó, com a minha mãe e com o meu irmão Douglas. Só o Rafael, meu irmão caçula, conviveu mais tempo com a minha mãe”, conta.
Após um período afastada de sua mãe de sua avó, Adriana retorna a São Paulo para morar com elas em uma casa comprada com o apoio dos patrões de sua avó, e posteriormente para um sobrado ainda melhor, em um bairro de classe média, mas simples comparado aos outros. Era uma clara ascensão financeira, mas também foi fruto de frustrações, pois por viver cercada de pessoas de classe média é também viver cercada de pessoas brancas e com condições financeiras melhores do que a sua.
“Apesar de não ser um bairro periférico, eu me sentia à margem o tempo todo. Na minha classe, mesmo sendo uma escola pública, só tinha mais um negro. Quando o assunto era namoro, era como se eu só pudesse ser aceita por ele. Eu nunca era escolhida para dançar nas festinhas. Não lembro de ter recebido um correio elegante numa festa junina”, conta.
Se o dinheiro apertava, sua bisavó e avó logo se mexiam para inventar e reinventar. Mesmo carecendo de estudo, o tino comercial pulsava na veia de sua família e hoje pulsa dentro dela, que acredita ter esse bom desempenho no mercado por herança quase que genética.
Aos 15, ela arranjou seu primeiro emprego e, desde então, não parou mais de trabalhar. Foi em um emprego na Rádio Gazeta que ela amadureceu ainda mais e fez amizades importantes, com outras meninas negras que validavam sua existeñcia e apresentavam para o mundo da cultura, porta de entrada para que ela compreendesse melhor o que significava ser uma mulher jovem negra.
O empoderamento que a música lhe trazia era tanto que ela passou a frequentar reuniões do movimento negro organizado e se radicalizou, ainda que momentaneamente, nessa grande epifania racial que seria tão necessária pra toda sua trajetória futura.
“Foi nessa época que eu me aproximei do meu pai. Ele e toda a minha família paterna é sambista. Meu pai é um dos fundadores do Grupo Mé Menor, e ele ajudou a construir a comunidade do Samba da Laje, uma das mais tradicionais do samba paulista. A reaproximação com o meu pai marcou também a minha aproximação com a cultura afro-brasileira”, relata.
Foi quando ela pediu demissão da Gazeta e passou a trabalhar no lugar dos seus sonhos: a gravadora Trama. Por dois anos, ela esteve nas nuvens e em contato com artistas que eram seus ídolos, mas a demissão desse mesmo lugar foi o início de uma depressão transformadora, que ela ainda não tinha dimensão na época.
“Foram as minhas amigas que me ajudaram a lidar com aquele sentimento de frustração, decepção e autopiedade. Depois de sair do banzo, o meu primeiro passo foi separar minhas roupas bacanas pra tentar vender nas ruas e feiras da cidade. Esse era o meu método de “sevirologia”, a arte de saber se virar. Minha parceira de sevirologia era a Deise Moyses, que vendia pastel na feira. Dessa experiência eu comecei a idealizar a Feira Preta, um evento pra valorizar produtos e serviços de empreendedores negros”, relembra.
A primeira edição da Feira Preta aconteceu em 2002, quando Adriana tinha 22 anos de idade. Ela e sua amiga Deise escolheram a Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, por ser um lugar aberto, bonito e acessível, e também por já ter uma cena de feiras e mercados alternativos. e uma população de jovens negros frequentes por lá.
“No dia da feira, eu pendurei faixas nas ruas para sinalizar o local, ajudei a montar as barracas e varri o chão. Junto comigo estavam minha avó, meu avô, minha mãe e meus irmãos. Eu tinha medo que ninguém aparecesse e fiquei plantada em pé, na esquina da rua Teodoro Sampaio, olhando em direção à saída do metrô Clínicas. Até que eu comecei a ver mulheres, homens e crianças com tranças, black power e cabelos alisados. Gente com pele mais ou menos retinta. Sete mil pessoas parecidas comigo lotaram a praça, numa das regiões mais ricas e brancas de São Paulo. Foi ali que o sonho começou a se tornar realidade”, diz.
A Feira Preta passou a ser realizada anualmente, tamanho o sucesso. Com muitos percalços, ela se transformou no maior evento de cultura e empreendedorismo negro na América Latina. Tem venda de roupas, acessórios, artesanato, e também muita música, bate-papos e palestras. A Feira Preta deixou de ser um evento de um único dia para se transformar num festival de programação extensa, em cidades fora de São Paulo também.
Hoje, ela tem o privilégio de encontrar propósito em todos os seus dias de trabalho. Mas, para a quantidade de coisas que ela já fez na vida, era pra ela estar muito mais rica - e fica a questão no ar: se fosse uma mulher branca, provavelmente ela estaria.
“As mulheres negras são as que mais estudam, as que mais estão dentro do mercado de trabalho informal, as que mais empreendem, mas ainda estão na base da pirâmide. Por que? Por que ainda tem tanta diferença, se nós contribuímos tanto para o desenvolvimento desse país?”, questiona-se.
Adriana enxerga-se como uma ponte, uma viabilizadora de sonhos, sem nunca esquecer que ela é soma de todas as mulheres que vieram antes dela e sustentaram sua caminhada. “Eu chamava a minha avó de sócia, porque a aposentadoria dela foi a grande financiadora da Feira Preta no início. A minha vó me ajudava até a pagar a passagem de ônibus. A forma como tomo decisões, como insisto naquilo em que acredito, como crio, busco soluções e até mesmo a minha mania de ser forte o tempo todo… Tudo isso é herança. E, por acreditar nesse legado, tenho trabalhado para transformar a sobrevivência negra em uma vida cada vez mais livre e realizada”, diz.
Você sabe reconhecer os que vieram antes e pavimentaram seu caminho? Reconhecer suas heranças é reconhecer sua própria identidade e apropriar-se dela. Saiba reconhecer também o legado negro, há mãos negras por toda a parte que tocamos, e é preciso que isso seja sempre lembrado. Ouça mais dessa história apertando o play por aqui ou no seu streaming de preferência.
Entrevista com
Colunista do Estadão e professor da FGV-SP
7 de Fevereiro de 2020
Conversamos com o colunista do Estadão e professor da FGV, Fábio Gallo, para entender melhor sobre as mais variadas formas de poupar e investir o seu dinheiro – e poder usufruir de uma aposentadoria tranquila financeiramente.
Como faço para começar a poupar? Para qualquer idade, poupar é um hábito, e como todo hábito, demanda um sacrifício inicial até que ele se torne automático. O primeiro passo para isso consiste em estabelecer objetivos claros para a sua vida. Aqui, vale de tudo: sonhos, valores, vontades. Como eu quero estar aos 60 anos? Onde? Qual a renda que eu precisaria ter para concretizar isso? Tendo essas respostas claras, você consegue avançar para o segundo passo, que é o planejamento financeiro. Quanto eu ganho? Quanto eu gasto? Quanto eu consigo guardar todo mês? E o terceiro e último passo é buscar um conhecimento básico sobre as mais variadas formas de se investir esse dinheiro, agora que você já sabe o valor dele e seu objetivo.
Eu consigo guardar dinheiro para a aposentadoria já em uma idade avançada? O ideal é que essa preocupação com o futuro surja ainda quando se é jovem, mas existem opções de investimento para toda a vida. Isso entra, novamente, na questão de objetivos e sacrifícios. É preciso que os dois estejam alinhados, suas vontades futuras e sua capacidade de sacrificar parte de sua renda todo mês para isso. Outro fator que entra novamente nessa jogada é a educação financeira. O brasileiro infelizmente possui um analfabetismo financeiro muito grande, pois não praticamos isso. Acreditamos demais em alternativas propostas pela mídia ou pelo banco, sem buscar conhecimentos mais aprofundados. Não adianta só guardar dinheiro de forma equivocada, porque você vai descobrir na aposentadoria que isso pode não ter sido o mais adequado.
O que é melhor: investir ou poupar? Há uma confusão entre investimento e poupança, que é guardar dinheiro ou fazer ele render. Qualquer forma de investimento é boa em si, até mesmo para a criação do hábito já mencionado, mas não para todos os bolsos e a qualquer momento. As formas de poupar e investir no Brasil são as mais variadas possíveis. Você pode guardar dinheiro na caderneta de poupança? Sim, mas o indicado é que ele seja apenas para as surpresas do dia a dia, e não a longo prazo. Já os investimentos são o movimento contrário: é preciso colocar o seu dinheiro lá e esquecer que ele existe. Até por isso demanda um planejamento maior.
Quais são então as melhores formas de se investir esse dinheiro? Varia muito de pessoa para pessoa. Os planos de previdência privada são boas alternativas a longo prazo, por exemplo, mas é um produto bastante caro no Brasil, porque há muitas taxas. Ao mesmo tempo que ele posterga pagamentos tributários e é fácil de comprar - já que todos os bancos te oferecem - ele é mais caro e mais limitado, oferece poucas opções, sendo mais difícil de encontrar um ideal para você. Pensando em demais investimentos, você tem o tesouro direto que permite investimentos baixíssimos, podendo começar com 30 reais, por exemplo. Existe ainda o CDB, os mais diferentes créditos imobiliários, fundos de renda fixa, fundo de multimercado, e até uma pequena parcela num fundo de ações ou mesmo numa carteira de ações. É estudar e entender qual está mais alinhado com seus objetivos e sua renda. Por fim, ainda há os investimentos exóticos, mais indicados para quem já é expert na arte de investir. Eles envolvem obras de arte, compra de ouro e até alimentos como escargot. Outras dicas importantes: saber a liquidez de cada um, para o caso de um saque de emergência, além de suas respectivas taxas de administração - alguns exigem uma taxa mais alta.
A compra de imóveis já foi moda um dia. Ela ainda vale a pena? Imóvel é um risco pois, apesar da segurança em ser seu sem risco de perdê-lo (uma vez quitado, é claro), ele não possui liquidez. Você não consegue o dinheiro de um dia para o outro, caso precise, por exemplo. Colocá-lo para aluguel tem se provado um mal negócio nos últimos 5 anos, pois a demanda estava baixa, e o imóvel gera custos mensais mesmo sem ninguém o habitando. A menos que você tenha muitos imóveis para alugar, é claro. O ideal, para uma pessoa leiga e mais conservadora que queria investir em imóveis, é aplicar o dinheiro que seria da sua compra em um fundo imobiliário de baixo risco.
Qual foi a principal mudança que a Reforma da Previdência trouxe? A mudança na mentalidade que o brasileiro vai ter de assumir, de agora em diante. Isso porque, com as novas entraves, é necessário que a preocupação com investir o seu dinheiro comece desde cedo, para que a aposentadoria pública vire um complemento, e não mais sua única fonte de renda nessa fase da vida.
DICAS DE OURO
Pegue sua caneta e comece a anotar!
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