É possível construir um mundo ideal pensando nas crianças? Para a empreendedora social, Ana Lúcia Villela, essa tarefa é para ontem.
28 de Junho de 2021
É possível encontrar o seu propósito de vida ainda na infância? Para Ana Lucia Villela, representante do pilar Propósito na quinta temporada do Podcast Plenae, sim. Mas não foi de imediato. Começou em uma viagem inocente feita às Filipinas, onde se deparou - e nunca mais se esqueceu - com a discrepância extrema entre miséria e riqueza: crianças de rua na porta de um importante palácio.
Antes disso, Ana já havia vivenciado um outro episódio triste e muito marcante: ficou órfã de pai e mãe, aos 8 anos. Como as duas histórias se conectam? Simples: desde muito jovem, a hoje empreendedora social ficou diante das mazelas socioeconômicas do mundo, da solidão que uma criança pode vivenciar pelo medo e de todos os seus privilégios.
Dali em diante, ela ainda teve contato com projetos sociais por meio de sua família e escola. Então cresceu e decidiu estudar Pedagogia, para estar ainda mais próxima dos temas acerca da infância. Ainda na faculdade, Ana nunca aceitou que indivíduos ainda tão jovens pudessem ser considerados “casos perdidos” - opinião endossada por um de seus mais célebres professores: Paulo Freire.
Herdeira de um terreno baldio no Jardim Pantanal, extrema zona leste de São Paulo, ela e seu irmão decidiram não expulsar a ocupação que ali havia se instalado, mas sim, empoderar as lideranças comunitárias e ajudá-las a fazer melhorias em seu próprio ambiente, como regularização do espaço e construção de escola.
Assim nascia o Instituto Alana, principal empreendimento de Ana Lucia, que nasce dessa vontade de gerar oportunidades e fazer com que o indivíduo seja protagonista de sua própria história. Hoje, o Instituto já conta com outros braços, como a produtora Maria Farinha Filmes, que acredita no poder transformador de uma história bem contada, e o projeto Criança e Consumo, dedicado a debater a publicidade dirigida ao público infantil.
Para ela, se o mundo for construído pensado para crianças, ele então será bom para todos. O resto da história, você confere na quinta temporada do Podcast Plenae. Aperte o play e inspire-se!
Entrevista com
Head de educação financeira da Xp Inc
Entrevistamos Thiago Godoy, head de educação financeira da Xp Inc, para entender melhor a relação entre prosperidade, propósito e a cultura de investimento do país.
13 de Outubro de 2021
Está para começar o curso "Os 7 segredos da prosperidade", uma parceria entre a XPEED (Escola de Educação Financeira da XP Investimentos) e o Plenae. Inspirados pelo tema e pelo lançamento, trouxemos um Plenae Entrevista especial, feito com Thiago Godoy, um dos professores do curso. Ele, que é mestre em educação financeira pela FGV, especialista em comportamento financeiro e psicologia do dinheiro e hoje head de educação financeira da XP Inc, acredita que prosperidade é muito mais do que sucesso financeiro, mas sim, um conjunto de fatores na vida de uma pessoa. Confira o resultado a seguir!
Como você enxerga a cultura da educação financeira aqui no Brasil?
Há questões culturais que são muito fortes e fazem a gente tratar o dinheiro como tabu. O Brasil ainda enfrentou alguns agravantes específicos e o principal deles é o histórico de hiperinflação desde os anos 70, que foi mais grave no final dos anos 80 e início dos anos 90. Ele é recente na memória das pessoas e adultos e faz com que as pessoas tenham medo de lidar com os investimentos e as questões financeiras, principalmente quando falamos de longo prazo. Isso é uma questão comportamental, aliás: nós também não temos uma cultura de planejamento. Nosso mercado financeiro ainda é imaturo, está crescendo, mas o percentual de adultos na bolsa de valores é bem pequena comparada a outros países.
E o que fazer para mudar esse cenário?
Educação é a palavra chave. A gente passa a vida inteira na escola seguindo uma fórmula de estudar, tirar melhores notas, ter uma carreira de sucesso e ganhar mais dinheiro. Mas pouco se fala sobre o que faremos com esse dinheiro adquirido. Junto a isso, temos um processo chamado de socialização econômica que é individual, e acontece desde o início da nossa vida, desde a infância, e é muito forte, principalmente nos 7 primeiros anos de vida. É nesse período que desenvolvemos as nossas crenças financeiras com base no que vimos e fomos expostos, é um processo inconsciente. Se nossos pais brigavam por dinheiro, se eles eram financeiramente controlados, se a infância foi com abundância ou não, se o assunto era falado ou velado: tudo isso vai contar. E esse âmbito individual interfere no âmbito coletivo. Hoje temos 70 milhões de endividados no país e uma renda muito baixa, mas essa questão comportamental de mau uso do dinheiro é também importante, pois muitos gastam mais do que ganham. No Brasil, temos 66% dos adultos considerados analfabetos financeiros, que não entendem o mínimo dos conceitos básicos da área que podem nos fazer tomar decisões melhores ou não. É preciso ensinar, tanto ao jovem, quanto ao adulto também, para que ele possa ressignificar essa relação..
Para você, o que é prosperidade?
É muito mais do que uma questão financeira, ela é uma mentalidade e está diretamente ligada à abundância, é algo que conseguimos criar. E essa criação vem de uma forma de pensar e, principalmente, de agir. Vai muito além de recurso material, está mais dentro do âmbito espiritual, de uma questão de transbordar o que há de melhor na vida. E é claro que isso fica muito filosófico e pouco prático, mas ela é de fato uma forma de como você vai encarar a sua vida e seus recursos.. O Recurso é tudo que você tem disponível: a sua saúde, mente, corpo, suas horas de sono, relacionamentos, sua energia e dedicação, tudo que você coloca intenção e conexão, seu acesso à água, luz, comida. A pessoa pode ter muito dinheiro, mas não consegue ter tempo para estar com a família, vive em desequilíbrio. Quando você caminha para o processo de entender onde é preciso corrigir a rota, você começará a criar prosperidade.
Você acredita que a espiritualidade entra nisso também?
Há muita coisa que a gente não explica. Vivemos em uma sociedade que saiu de um modelo ancestral de ampla conexão com o sagrado e o desconhecido e que depois, com o Iluminismo, acabou se conectando mais com a ciência e todo o pensamento cartesiano. Isso trouxe um olhar muito técnico e objetivo para a nossa sociedade, e nos fez esquecer que a maior parte das coisas que existem no mundo fogem da nossa compreensão. O mundo comprovado é muito pequeno perto do mundo de fato, e tudo que nele habita é visto como pseudociência, de forma mística e preconceituosa. A prosperidade é uma dessas muitas coisas que a gente não consegue entender. Ela é construída, mas está muito no campo do comportamento, da atitude. É próspero você ter comportamentos prósperos.
Propósito e dinheiro são temas que podem se misturar?
Podem e devem se misturar. Os japoneses têm um conceito muito interessante chamado IKIGAI. E é bem nessa linha: a vida tem que ter um porquê. Não existe abundância, prosperidade, se não há generosidade, entrega, divisão. Ou seja, quanto mais profundo você resolver um problema das pessoas, tocar elas, mais prosperidade você vai ter. Isso se conecta com a abundância e tudo que falamos. O seu propósito tem que estar dentro de algo tangível, não só com o que você busca como pessoa, mas também em algo que o mundo precisa. Nesse sentido, o dinheiro faz parte do processo. A gente tem que ter consciência de que o dinheiro é importante, até para lidarmos melhor com o tema e honrar nossos recursos. Você não cuida da sua saúde, das suas relações? É a mesma coisa.
Que dicas dar para alguém que está querendo ter uma melhor relação com o seu dinheiro e pensando em poupar?
O primeiro passo é olhar com carinho para esse tema, com abertura, porque de fato no início vai ser um pouco mais difícil. Mas com um pouco de tempo e educação, a pessoa já vai conseguir ter uma boa melhoria sobre como ela vai trabalhar a sua saúde financeira. E aí, de forma prática, é realmente olhar para sua situação atual: se você está endividado, para onde está indo o seu dinheiro, se tem um plano para o futuro, quais são seus sonhos e objetivos. E então, criar o hábito de reservar uma parte do que receber por mês para investir no futuro.
Como fazer esse tema alcançar o maior número de pessoas, em um país tão desigual como o nosso?
Você não vai enriquecer com a educação financeira, mas vai ter mais qualidade de vida. O desafio é acessar pessoas que estão muito às margens da sociedade. Ter um trabalho que envolva política pública mesmo. A linguagem é outro ponto: como você chega nessa pessoa e qual é a linguagem certa para essa conexão? A forma como você leva é que faz a diferença. A representatividade é muito importante também, ter pessoas semelhantes falando para elas. Programas na escola onde o jovem está, centro de referências públicas e pessoas na internet que falam de igual para igual são caminhos ideais para ir disseminando esse tema.
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